# Esse relato é para provar que ninguém nesses últimos 50 anos, pode dizer que é o criador do Lago do Taboão.
# O que se pode afirmar é que
foi uma única pessoa (e taboense nato) o responsável pela
provocação há 44 anos do ressurgimento e formação do atual Lago,
e contando com o apoio e ajuda do DER, de servidores
municipais, de moradores do bairro e de modo especial dos funcionários
da EFB. Este apoio foi: braçal, financeiro e doações de
materiais de construção. Estamos nos referindo ao Professor Angelo
Magrini Lisa.
# O lago do Taboão sempre foi
visado pelos políticos da cidade. Em abril de 1974, em pleno regime da
ditadura militar, quando o lago ainda não estava pronto, um vereador de
nossa Câmara, visando a bajulação pura e simples, apresentou projeto
dando ao lago o nome de Presidente Ernesto Geisel. A imprensa bragantina
e especialmente a paulistana caíram de pau em cima do
vereador, que se viu forçado a retirar da pauta o demagógico
projeto.
No
bairro do Taboão, em terras de propriedade de Alfeu Grimello,
havia várias nascentes de água. Alfeu, que era
conhecido pelos moradores da zona rural (bairros do Itapechinga e
Campo Novo) pelo nome de ORFEU direcionou as águas saídas das
nascentes e as direcionou e represou-as formando uma
pequena lagoa. Com o passar dos anos, essa lagoa que era piscosa, era
freqüentada por pescadores e local de natação e brincadeiras
pela petizada do bairro. Hoje o lago tem o nome oficial de
LAGO DO ORFEU.
Nome do bairro
1881
– Por ocasião de construção da EFB, o eng. Fernando de Albuquerque –
fiscal do governo, em relatório elaborado para o presidente do Estado,
assim escreveu: “Na cidade de Bragança, no lugar chamado CHAFARIZ DA
BICA será construído uma estação de passageiros.”
O
relato, revela que CHAFARIZ DA BICA foi a 1ª denominação do n/
atual bairro. Com a inauguração da EFB (1884) a estação, então com
denominação de BRAGANÇA, o bairro passou a ser conhecido
como Bairro da Estação.
O
bairro que era calmo, passou a ter grande movimento - na proximidade da
Estação surgem: hotel, restaurante, padaria, lojas de fazendas e
armarinhos e armazéns de secos e molhados.
O bairro é núcleo de imigrantes italianos e espanhóis: os
Fascetti, Cucconelli, Royersi, Meneguzzi, Spinelli, Fernandes e
outras.
1889 - A região da Estação apresentava grande área comercial cujas atividades e profissionais eram:
Costureira: Eufemia Beretolotti
Parteira|: Giovanna dos Santos
Fábrica de Cerveja e Gasosa: Antonio Del Porto
Fábrica de Macarrão: Vicente Romano
Fábrica de Carros e Carroças: Fascetti & Bertoloitti
Fábrica de Sabão: Clemente Cuconelli
Funileiro: Carlos Royersi
Hotel: Ignácio Bartholomeu – Largo da Estação
Restaurante: Antonio Meneguzzi – Largo da Estação
Açougue: Raphael Scarglione
Padaria: Luiz Petrone
Serraria: Seragim Fernandes & Comp.
Máquinas de beneficiar café: (2): José Leite de Cerqueira campos e Gabriel da Silva Fagundes
Lojas de Fazenda e Armarinhos: Catarina Rezzara e Bertolotti x Dois Irmãos,
Comissões, Secos e Molhados por Atacado: Ângelo Colombo, Bertolotti e Irmão.
Armazém de Secos e Molhados: Vicente Romano, João Danilo,
Francisco Spinelli, Hipólito Bertolotti, José Gallo, Catarina Rezara e
Antonio |Meneguzzi, Pepino Giuseppe, Pietro Padori, José Serabino,
Pepino Giuseppe, Eliseo Pierotti, Justo Campos e João Ferreira de
Almeida.
Nas
ruas mal traçadas e sem calçamento, eram sim em chão batido,
apresentavam-se – poeirentas nos dias de sol e barrentas nas épocas de
chuvas. Nessas ruas (Teixeira, da Estação, do Taboão) surgem novos
estabelecimentos: Fábrica de Cerveja e Gasosa, de macarrão, de carros e
carroças, de sabão, de beneficiar café.
A
rua da Estação (hoje José Domingues) em quase toda sua extensão
era uma região cantareira, de onde eram extraídas pedras de
cantaria que foram utilizadas para o calçamento da cidade. Foi
desse local que imigrantes italianos, extraíram as pedras, que
trabalhadas se tornaram em 1913 as colunas da nossa antiga Matriz,
depois Catedral . Hoje estas colunas ornam o visual da Pça.
Raul Leme.
RIOS:
Três riachos com denominações guarani, correm pelas terras
do Taboão: O Inhaúma, pelo lado direito, o Caeté (também, chamado
São José) e o Canivete ( hoje Lava-pés) pelo lado esquerdo.
SÉCULO 20
1908
– Inauguração do 1º campo de futebol, especialmente preparado para essa
modalidade esportiva, tendo inclusive assentos de fila (espécie de
“setor das numeradas”). O estádio localizava-se na vargem denominada
“dos Atibaianos” situada na rua do Taboão. Nessa vargem existia uma
grande plantação de repolhos, e quando das realizações de jogos de
futebol, quando as torcidas brigavam, a arma utilizada eram os repolhos,
daí surgir a brincadeira (?) de mexer com o pessoal do bairro, como
morador do “bairro do repolho”.
Essa brincadeira dava briga na certa.
1910
–Surge no bairro a Cia. Industria de Eletricidade (hoje relembrada como
a Fábrica de Lampadas). Aquela fábrica na Rua do Taboão produzia
lâmpadas de filamento comuns e metálicos. Falida aquela Cia., no imenso
prédio funcionou uma Fábrica de Tecidos.
Por
essa época, funcionava no bairro a Escola do Prof. Peluso, onde
ensinava as primeiras letras as crianças do bairro e da zona rural. Foi
seu ex-aluno o Mons. TITO JOSE FELICE.
SURGIMENTO DO NOME TABOÃO
A
estação ficava bem distante da área central da cidade, onde funcionava o
grande comércio selecionado (na Rua do Comércio e Rua do Mercado) e do
bairro porqueiro (o Matadouro). A “SPR” querendo estender a ferrovia até
o interior de Minas Gerais, deu inicio a construção de novas
estações no território bragantino, todas em direção a MG. Em nossa
cidade construíram em 1913 uma nova estação na baixada do
Lava-Pés.
Deram-lhe o nome de BRAGANÇA, e a antiga estação, próxima a uma lagoa foi renomeada para TABOÃO.
Tudo faz crer, que o nome tem relação à
lagoa que era coberta por um TABOAL – uma espécie de planta
gramínea de região pantanosa, conhecida por:
TABOA .......TABOAL.........TABOÃO.........
Isto é que nos transmite os antigos bragantinos.
A VIDA NO TABOÃO
Com
a criação na cidade, da 2ª estação ferroviária a movimentação do
bairro, caiu bastante, pois, o comércio foi sendo transferindo
paulatinamente para à várzea do Lavapés. O bairro
parou, perdeu todo o seu movimento, tornou-se por anos um bairro
de moradia, só se agitando quando do silvo estridente do apito das
máquinas da Bragantina. Lembro-me quando criança, passeando
com minha bicicleta pelas ruas do bairro via inúmeras
famílias sentadas frente suas residências, onde senhoras conversavam com
suas vizinhas ou faziam crochê ou bordados à mão. Os homens eu não via
na rua, a maioria trabalhavam na ferrovia, outros provavelmente
estavam na Ribeiro de Barros (espécie de “clube” dos
ferroviários) -, jogando uma bisca ou truco. Por anos esta vida de
marasmo ali permaneceu, o bairro não progredia, não tinha escola.,
era um bairro de grande número de elementos analfabetos.
Por
volta de 1931/35, surge a primeira pequeníssima luz para clarear o
futuro do bairro: na rua José Domingues, a velha capela de Santa Cruz da
Estação é demolida e em seu lugar surge uma moderna e bela capela
dedicada a N. Sra do Bom Parto, construída por Dom José Maurício
da Rocha – 1º Bispo de Bragança. A capela por muitos anos esteve sob
responsabilidade dos PP. Agostianos, Vizinho a capela,
funcionava empresa Raposo & Cia., respeitável
comissária de café, tinha o maior depósito de armazenagem de café
da Zona Bragantina.
Nessa
época era prefeito o bragantino Raul de Aguiar Leme que no popular
Largo do Taboão dava início a formação de um belo jardim, com
novos canteiros floridos. Ponto de partida dos voluntários
bragantino para a Revolução de 1932, a praça foi oficializada com a
denominação de Praça 9 de Julho. Hoje na praça, vê-se o belo
Monumento aos Bragantinos Mortos naquela revolução – é o maior e
mais majestoso monumento da cidade. Na parte de traz do monumento, há
uma placa com os nome daqueles 12 heróis.
No
início da década dos anos 40, o bairro viveu um período de apreensão e
incerteza – na Europa estourara um conflito, que na sua progressão
tornou-se mundial – era a 2ª Grande Guerra. Do Taboão
dois de seus filhos fizeram parte do contingente a FEB e da
estação do Taboão partiram os jovens expedicionários Luiz
Caetano de Moura e Vicente Bernardi (Nino) que ao término da guerra,
regressaram ao lar e no Bairro se destacaram em atividades
do comércio.
Em
1951 a Auto Viação Bragança inaugura sua nova sede na Avenida
José Gomes da Rocha Leal. Próximo a Capela de Santa
Luzia, surge o 1º loteamento do bairro - a Vila Isaura - continha
183 lotes. Eram iniciativas isoladas. O Bairro exigia mais
de seus capitalistas.
No
ano de 1952, um jornalista bragantino, que muito batalhava na imprensa
local e paulistana, em pró de sua terra natal , referindo-se sobre o
bairro do Taboão, publicou no BJ , ed. de 31/5) o artigo titulado
“Urge cuidar-se do reerguimento do Taboão”. Naquela publicação
destacava: Antigos moradores do Taboão, são grandes proprietários e de
muitos recursos, mas em compensação. bastante conservadores. Em matéria
de progresso, são demais refratários. É bem possível que por esses
fatores, que a zona do Taboão não consegue tomar impulso. Concluiu
aquele artigo, com este brado: “Dirigentes do Estado, de Bragança,
proprietários e capitalistas do “Taboão”, o reerguimento dessa parte da
nossa cidade está dependendo, exclusivamente, da boa vontade de cada
uma dos que, para isso, pode dar sua cooperação.”
Aquele brado, despertou o coração dos taboenses! Vejamos.
O REERGUIMENTO DO TABOÃO
Na
eleição municipal de 1959, um “filho do Taboão” era eleito prefeito –
Prof. Ângelo Magrini Lisa, com um mandato de 1960 a 1963. quando se dá o
início do reerguimento do bairro.
# Por volta de 1959/60 era criado o Grupo Escolar do Taboão, por ato do
governador Prof. Carlos Alberto de Carvalho Pinto, descendente de
família bragantina. Era neto de Virgilio de Carvalho Pinto, que
foi vereador de n/ Câmara e o lº bragantino nato, eleito deputado
para a Assembléia Legislativa paulista.
# O Grupo do Taboão entrou em funcionamento em caráter provisório
em agosto de 1961, no prédio do sr. Jácomo Antonio Dorigo , o qual
foi adaptado pela Prefeitura para esse fim. Iniciou com 4 classes,
posteriormente criaram mais 3 classes.
* O
Taboão teve um filho muito querido, o negro PAULO SILVA.
Paulo ensinou, sem nada cobrar, as primeiras letras para
centenas e centenas de crianças do bairro. De fé católica, foi
catequista durante 50 anos ou pouco mais. Dos antigos moradores do
bairro, é raro não encontrar aquele que não recebeu ensinamento do
Mestre Paulo Silva. Moço ainda, Paulo foi acometido de tenaz doença que o
prostrou ao leito por muito anos, deixando seu corpo todo encolhido. Em
sua casa na rua José Domingues, sempre sorridente, tendo às mãos
seu Tercinho de capim, dava aula de catecismo. Após seu falecimento,
moradores do bairro, encaminharam pedido ao Prefeito Municipal
(que era taboense), sugerindo que ao novo Grupo Escolar do Taboão,
fosse dado nome Mestre Paulo Silva. A oficialização
se deu em .junho de 1963, por decreto do governador Ademar Pereira de
Barros.
MODERNISMO
A Administração Municipal de 1960-1963 introduziu na Rua José Domingues o
calçamento por bloquetes, que em uso nunca apresentou
qualquer problema.
Era de um belo visual. Hoje o trecho está todo coberto por asfalto.
O AVANÇO DO TABOÃO
# Com a vinda do potencial energético da CHERP, em 28-5-1961, Bragança
solucionou definitivamente o grande drama que castigava o município: o
problema da energia elétrica. Naquela memorável noite, o bairro do
Taboão teve as portas abertas para seu reerguimento:
# Grimello foi o grande doador do terreno para a instalação do
Instituto do Ensino Superior de Bragança Paulista (com Faculdades
de Medicina e de Direito): é hoje a Universidade São Francisco;
# a Variante do Taboão teve concluída sua pavimentação.
Com
o passar dos anos, novos loteamentos foram surgindo na região do
Taboão: Jardim São José, Jd. Europa, Jd. Califórnia e outros. Área
de laser e poli-esportivo, no bairro encontramos diversos lagos/lagoas,
o que faz que seja conhecido de Região dos Lagos. Os lagos
em maior destaques são: do Taboão e o Lago da antiga chácara Alfeu
Grimello.
Hoje
o Taboão, é tido como bairro de elite. Nele vemos modernas construções
residências e do comércio. Há escolas nos diversos níveis de
formação: do ensino fundamental até as preparatórias para o
ensino superior. É destacado centro gastronômico da cidade; é o
maior setor médico- hospitalar da cidade e quiçá da Região
Bragantina. O bairro possue dois hospitais: HUSF e a UNIMED ,
e também diversas clínicas medico-odontológicas.
No bairro, há mais de 60 anos, existe o Aéro-Clube, onde funciona a
mais antiga escola de pilotagem do interior paulista.
Todo esse apogeu do TABOÃO é fruto do trabalho de seus moradores, e taboenses amantes do bairro.
Encerrando, quero recordar de uma mensagem aos jovens, manifestada há anos por um ilustre filho deste bairro.
“Aos jovens de hoje que serão os homens de amanhã, uma palavra: Esperança!
Esperança no futuro do Brasil que é tão grande não só pelo seu
tamanho, como na fertilidade do solo, na riqueza do seu subsolo. É só
afastar da administração pública os elementos perniciosos e colocar os
indivíduos certos nos lugares certos, e tudo se ajustará. Para
isso, é só dar uma formação ao povo. Formação moral, intelectual e
técnico. O Brasil é maior do que todo mal que se lhe tem sido
feito !” (Ângelo Magrini Lisa)