|
Prosa de Martin e Renan Prado:
Baseado em fatos reais
CAPÍTULO 1
8 de março de 1955, Dante nasce. Seus pais ficaram emocionados.
Não era o bebê mais bonito do berçário, mas
seus pais aceitaram o fato. -Vamos para a casa!- Disse seu pai depois
de alguns dias. Sua casa era modesta e ficava no centro de São
Paulo, com vizinhos que também tinham bebês de quase a
mesma idade.
Poucos fatos marcaram a infância feliz e tranqüila de Dante,
exceto pela vez em aos quatro anos, quando flagrou um ato sexual dos
seus pais, logo após eles explicaram o que estavam fazendo. Dois
anos mais tarde viu seu pai morrer atropelado pelo ônibus de uma
dupla sertaneja, gênero de música o qual odiava.
É o fim desse prólogo.
Nossa história começa com Dante aos quatorze anos
viajando em um ônibus com seus dois amigos vizinhos, Joselito e
Cazu.
- Rio de Janeiro, aí vamos nós!- Disse Dante.
- Nem acredito que você conseguiu dinheiro para o Show do "The Wonders", Cazu!-Falou alegremente Joselito.
- Foi fácil, eu vendi isso.-Disse Cazu, mostrando em sua mão alguns pacotes de maconha.
- Guarda isso!-Alertou Joselito, com medo de alguém do ônibus ver a droga.
- Joselito, você não sabe brincar! Você até
quebrou a perna da minha mãe e agora ta com medo disso!-Falou
Cazu.
- Depois a gente vê essa parada.- Dante disse.
Chegando à estação, eles desceram e foram até o primeiro moquifo que encontraram e se hospedaram.
CAPÍTULO 2
- E aí? Vão querer a parada?-Perguntou Cazu.
- Pra provar que eu sei brincar, eu vou querer!-aceita Joselito.
Dante também aceita. Um jovem de quatorze anos, cheio de
espinhas na cara e cabelo comprido, estava iniciando um ciclo vicioso
onde fazem parte, alucinações tenebrosas vícios
agonizantes, profundos desgostos que marcariam sua adolescência.
A primeira vez foi demais para ele, depois de fumar um pouco, sentiu
uma forte dor de cabeça e desmaiou.
Seus amigos ficaram sem saber o que fazer!
- Acorda! Dante! Acorda!
Gritavam seus amigos enquanto chacoalhavam, agitavam e tentavam anima-lo.
- Acorda! Dante! Acorda!- Disse Cazu.
- Vai meu!- gritava Joselito.
- Ahhhhhh!-grita Dante de repente.
- Ele está vivo!- Disse Joselito finalmente.
- Claro! Esse negócio é mó fraco! E se matasse era proibido!
- É proibido! SUA ANTA!!!!- Disse joselito.
Essa viagem foi bem mais do que a primeira vez na droga, eles foram ao
show do "The Wonders", ouviram "I need you", zoaram, beberam, fumaram,
cheiraram e mataram (formigas...) no show. Nem suspeitavam que essa
viagem iria acabar mal.
Quando voltou para sua casa em São Paulo, sua mãe, claro,
nem desconfiou de seu olho vermelho, cansaço e cheiro de ervas.
Ele manteve esse ritmo natural até sua segunda sua viagem ao Rio
de Janeiro, onde passou de todos os limites estipulados pela sociedade
e acabou com o último vestígio de humanidade que ainda
havia em seu coração dopado.
Quando viajou pelo Rio de Janeiro novamente com seus amigos, aos
dezesseis anos, Dante repetiu a dose, fez tudo o que havia feito antes
e ainda mais. Na rodoviária a tensão aumentou, pois um
policial que havia no local sentiu o cheiro da droga quando um de seus
amigos passou perto. Então, resolveu investigar o grupo de
jovens agitados e de comportamento estranho. Foi uma correria geral,
felizmente, Dante, Joselito e Cazu não estavam entre os amigos
que foram pegos. Sorte deles, pois os que foram pegos levaram uma surra
dos policiais uma vez no xadrez. Vale a pena ressaltar que nessa
época existia a ditadura militar e os policiais podiam fazer
tudo o que quisessem.
Depois da turbulenta viagem para o Rio, Dante e aqueles que não
foram pegos pela polícia, voltavam para São Paulo. No
meio da viagem, uma mistura de pensamentos de medo, de culpa e um pouco
de droga fizeram com que Dante escrevesse um poema que mostrava todo o
medo e pavor de sua vida louca, como se Dante tivesse prevendo o que
aconteceria em breve.
CAPÍTULO 3
A mãe de Dante só foi saber das drogas no pior momento possível: No funeral de Cazu.
- Buaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!- Disse a mãe de Cazu.
- Aquele maldito!!! Como ele pode fazer isso conosco?- disse seu pai furioso
- Eu disse!!! Droga só poderia dar nisso. Juro por deus que
nunca mais coloco um baseado na boca!!!- disse Joselito Chorando.
- O que!!!!! Você também está envolvido com isso? - disse a mãe dele?
- BUAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!
- E você Dante? Não minta pra mim!- Disse a mãe de Dante desconfiada do filho.
- É verdade mãe não adianta mais mentir!- Disse Dante que passava o pior momento da sua vida.
A surpresa foi tão grande para a mãe que saiu correndo do
funeral, dizendo bem alto que Dante não era mais seu filho.
Dante passou o resto dos dias jogados pelos cantos da casa se punindo
pelo o que aconteceu. Ficava acelerando lágrimas sem parar,
comendo chocolate, batendo a cabeça contra a parede, assistindo
desenhos e pensando em maneiras de se purificar. Como era conhecida
naquela época, a ditadura militar maltratava seus soldados e era
a melhor maneira de você conquistar respeito. Coisa que Dante
já havia esquecido o que era. Estava decidido. Dante iria servir
o exército e no dia seguinte foi se alistar. Acabou a fase de
destruição e começava a época da
reconstrução social e moral (com muitas pancadas e
violações dos direitos humanos).
No dia 30 de fevereiro de 1975, Dante foi se alistar.
- Próximo!-Disse o General Augusto.
- Senhor, sim Senhor!-Gritou Dante.
- Qual é o nome desse imbecil filhinho de papai!?
- Dante da Silva senhor!
- Cala a Boca e tira a maldita roupa!- Imperava o General, quando sua
mulher entra no local- Paula! O que você está fazendo
aqui!? Haverá exame médico agora! Saia imediatamente.
Mesmo naquele lugar horrível, sendo constrangido, Dante
não pode se conter e reparou a grande beleza que Paula exalava.
- Tudo Certo! Mande ele para o primeiro exame Sargento!-Disse o General quando Paula sai do lugar.
Entraram quatro soldados muitos fortes e ali mesmo começaram a espancar Dante mesmo que ele estivesse pelado.
- Mas Por que estão batendo em mim?
- Porque minha mulher viu você pelado, porque eu não
gostei de você, porque aqui é assim que as coisas
funcionam!
- Mas como as coisas podem funcionar assim? É um desrespeito
à humanidade!-Dante finalizou sua frase antes do esperado, pois
sua reflexão foi instantaneamente quebrada, com um soco no meio
de sua barriga que paralisou seu diafragma, obrigando-o a parar de
falar e tentar e respirar.
- Eu vou embora! Continuem espancando!- O General sai e vai fazer outra coisa.
Cinco minutos depois de muita pancadaria, entrou um homem na sala. Esse
homem devia ter cerca de 2,10m de altura, musculosa e berra:
- Parem com isso agora! O que eu falei sobre esmurrar os novatos?!
Saiam daqui antes que eu tenha que colocar todo mundo de
penitência!
- Mas Sr. , são ordens do General.-Disse uns dos soldados morrendo de medo.
- Esse General aqui está mandando o contrário.- Disse o homem apontando para seus músculos.- Saia daqui!
- Senhor, sim Senhor!- Disseram todos os soldados simultaneamente, indo embora.
- Você está bem?- Perguntou o grande homem para Dante.
Dante ao tentar falar apenas vomitou sangue.
- Eu acho que isso quis dizer um "sim". Mas porque Augusto pegou
tão pesado com você, ele não costuma fazer isso sem
motivos.
- O anjo da mulher dele me viu pelado acidentalmente. Mas como o senhor
pode contradizer as ordens dele dessa maneira? Ele não vai te
punir?-Esse "punir" saiu com algumas gotas de sangue.
- Digamos que eu sei algo sobre ele, mas deixe isso para lá.
Vá para o seu alojamento, se você puder caminhar, caso
contrário vá para a enfermaria.
- Sim senhor, estou bem.
- Não venha com essa de "senhor" pra cima de mim. Para meus
chapas eu sou Leon, para as almofadinhas de alto escalão eu sou
Cabo Leonnardoh D'Antesinny Alenhy.
- Obrigado Leon.
- Dispensado soldado.-Disse Leon sorrindo.
Dante andou pelos frios corredores do quartel ignorando os sons de
grito, ordens e tiros. Estava dolorido demais para reparar no
horrível cheiro de lá, que era uma mistura de produtos
químicos fortes e axilas de soldados. Sequer notou as paredes
descascando e as janelas todas partidas e sujas que faziam que o frio e
a poluição visual aumentasse.
Chegou. Quarto 1313 parecia simpático (pelo menos para quem
acabara de sai de uma grande surra). A maior surpresa foi quando ele
abriu a porta cheia de cupim: Joselito estava lá! Obviamente
reclama de alguma coisa:
- Que corte de cabelo idiota! Que lugar horrível! E quem é esse zumbi na minha frente?!- Se referindo ao Dante.
- Alguém que morreu de overdose na vida e acabou de se alistar no exército do inferno.
- Dante! Você está muito mal, deite na cama! Você precisa descansar, estou preocupado com você!
- Está bem.- Disse Dante sem nem ao menos abraçar o grande amigo.
O leitor pode adivinhar como começo dessa
discrição que na tempestade da vida de Dante, se alistar
ao exército seria sem dúvida o pior dos tsunamis
possíveis, mas enquanto leves brisas como Leon, Joselito e Paula
estivessem lá, nosso nobre navegador encontraria forças
para continuar enfrentando o grande oceano da vida.
CAPÍTULO 4
Plac! Plac! Plac! Um som de um salto alto, francês por sinal,
ecoava no piso de madeira do único lugar decente do quartel: A
área do alto escalão. Plac! Plac! Plac! Se você
apenas ouvisse esse som, provavelmente adivinharia que a ruiva, 1,79m,
esbelta, elegante, mulher que era proprietária dos saltos altos
franceses estava com pressa. Procurava um homem: Augusto. O famoso
General Augusto.
- Onde será que aquele homem foi se meter justo numa hora
dessas.Mierda!- Não que ela fosse espanhola, só havia o
hábito de falar palavrão com todas as 9 línguas
que falava fluentemente.
- Calma Dona! Se ficar muito brava acabará ficando com o rosto
cheio de rugas!- Disse o faxineiro que ouvia tudo enquanto ela passava.
- Cala a boca, oh mísero eliminador de sujeira que nós
seres humanas fazemos. Olha que se continuar com esse falta de
respeito, mando alguns soldados torna-lo pó para que o
próximo faxineiro tenha serviço!
O pobre faxineiro não disse nada, sabia que dependendo dos contatos dela, isso poderia muito bem se tornar verdade.
A segunda pessoa à abordar o portadora do sapato foi o Coronel.
- Boun jour, Mademoiselle!
- Poupe-me das únicas duas palavras que você sabe falar em francês! E ainda em sotaque indígena!
O coronel também não respondeu, sentiu uma vontade imensa
de fazer a estrangeira engolir seu salto alto, mas uma questão
de quatro graus da escala dos militares, percebeu que não
poderia fazer isso.
Plac! Plac! Plac! Plac! Plac! Plac!
CAPÍTULO 5
De volta ao quarto 1313, Dante ainda descansava, não que ele dormisse muito, mas havia apanhado muito naquele dia.
- Acorda bando de vagabundo!!! Hora dos quinze minutos antes do
exercício diário. - Hei novato! Conte para nós
depois como foi seus primeiros quinze minutos.
- O que são os quinze minutos?
- É os quinze minutos em que você faz tudo o que deveria
fazer em 3 horas no dia. Tomar banho, usar o banheiro...Ah! e lembre-se
desse "o", pois é apenas um banheiro, enquanto os Generais
têm pelo menos 5 para cada um, pelo menos é o que dizem
por aí.
Os quinze minutos de Dante foram os piores possíveis. Hematomas,
cheiros horríveis, comida que é melhor não
descrever que foi apreciada entre comemorações dos
soldados, pois havia o que comer naquela manhã.
- Para o pátio seus animais! Quando chegarem abracem uma
árvore para energizar! Okaytss? Corrrendoooo!- Disse o sargento
Hélios, um homem que aparentava ser fraco e idoso demais para
seu trabalho.
-Eu ainda mato esse desgraçado!- Disse um soldado na multidão.
-Isso o próprio Leon já prometeu fazer. Era o presente de natal desse ano lembra?- Respondeu outro.
- Sim. O sargento Rosélio foi o do ano passado.
- Sim. Ele foi transferido para o lugar mais fim de mundo possível.
- Bragança Paulista?
- É
- Sem falar! Sem falar! Corrrrrendooo!- Disse Hélios.
Chegando ao pátio, Dante viu, de longe, a mulher dos saltos
altos entrando no helicóptero seguida pelo General Augusto.
Paula despedia-se dele com uma lágrima nos olhos.
- Adeus amore!- Disse Ivy para Paula.
-Adeus, Ivy. Belos Saltos.
O helicóptero sumiu de vista.
CAPÍTULO 6
O helicóptero era um modelo H-088, bem moderno pra época.
Sua pintura era nova, verde, sem dúvida era o melhor
helicóptero do exército brasileiro. Bom demais para ser
usado para fins particulares, como acontecia no momento, mas a pessoa
que o solicitara "não aceitava helicóptero de pobre". Mas
a questão não era o helicóptero em si, mas o que
acontecia dentro dele.
- Os planos vão de vento em poupa, não?- Pergunta o
General.
- Com certeza, ninguém pode nos impedir.- Disse Ivy.
- Não comemoremos antes da hora, Cabo Leonnardoh Alenhy sabe de muita coisa.
- Você está se referindo ao mounseur
Leon?HAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!!!!!!! Digamos que ele será
transferido para um lugar melhor, muito melhor! Bom, isso depende se
ele foi bonzinho, senão será um verdadeiro inferno!
- Aquele desgraçado era um verdadeiro santo para os soldados.
- E quanto à chifruda da Paula? Ela sabe de muita coisa.
-Se Paula não for estuprada pelos soldados, ela se matará, de tanta tristeza que nós vamos proporcionar.
-Ela é tão ingênua que nunca conseguiria imaginar o "fofinho" dela usando o exercito para uma coisa dessas.
-Mas porque você pediu para que eu instalasse um vidro á prova de sons e imagens, para nos separar do pilotos?
- Você vai descobrir já...já Meu general!!!!- Disse Ivy chegando mais perto do general...
CAPÍTULO 7
- Okaytss pessoal! Hoje teremos o exercício favorito de
vocês...Gásss Lacrimogêneo.- Disse Hélios.
A simples pronuncia dessas palavras já fez com que vários soldados vomitassem, com traumas do exercício.
- Para os novatos eu vou explicar: Logo à frente existe uma rede
de túneis onde vocês cabem de que estejam agachados.
Vocês vão entrar lá, em fila, e depois nós
tamparemos a maioria das saídas e vocês terão que
achar aqueles que não estão tampados. Ah! Também
jogaremos Gás Lacrimogêneos. O Cabo Leon
demonstrará agora como vocês devem agir.
Leon não imaginava que um simples exercício de rotina
havia se transformado em um perigoso atentado contra sua vida. Quando
entrou e a porta atraz dele foi fechada. Ele pensou o seguinte: "Vou
sair daqui rapidinho".
Por mais que ele tentasse ele nunca conseguiria achar sair da, pois
todas estava tampadas, por ordem do general.Todo tipo possível
de desespero, ódio, raiva, seus olhos diziam o que todas suas
palavras nunca iriam dizer.Todo a força oculta que os seres
humanos possuem subitamente vieram ao seu corpo de 2,10 de altura, e
ele surrou a tampa de concreto que se desfez instantaneamente. Dizem os
presentes que em quanto lê espancava Hélio ele sussurrava
uma coisa: Okaytss...
Foi uma festa! Ver o seu sargento sendo surrado e ter a semana de folga
em questão do luto, pois sua morte foi decretada dois dias
depois no hospital. Por um motivo desconhecido pela maioria dos homens,
Leon não foi preso, por ordens diretas do General Augusto, que
ligou três semanas depois para saber a situação de
seu quartel. Quando já fazia um mês e três surras
desde que Dante havia chegado lá, os soldados foram novamente
convocados para fazer o exercício do gás
lacrimogêneo, agora sem o antipático do Hélios por
perto.
CAPÍTULO 8
Uma voz irritante ecoava no cemitério do quartel. Essa voz de
"taquara rachada" pertencia ao capelão do exército. O
capelão orava uma prece padrão escrita para caso isso
acontecesse: O funeral de um oficial. Na verdade, havia dois
caixões. Um aberto, pois o defunto estava arrumado e o outro
fechado, pois o defunto tinha tantos hematomas e ossos quebrados que
seria muito forte para se ver. Muitos dos presentes choravam pela
pessoa do caixão aberto e outras muitas comemoravam pela morte
da pessoa do caixão fechado.
Apesar do bom pensamento que vinha em mente de Leon quando pensava que
ele mesmo havia colocado o Sargento Hélios no caixão
fechado, ele ainda estava triste, pois a pessoa do caixão aberto
era muito amiga sua, mais do que isso.
Leon procurou Dante no mesmo dia, quando os eles estavam sozinhos.
-Soldado Dante, o que você conhece sobre chantagem?
-Quase nada, Senhor. A única coisa que sei é que é
uma maneira e convencer as pessoas a fazer o que você quer
ameaçando-as.
-No mundo da política a chantagem é uma grande arma, mas
perigosa para o dono, pois o chantegeado pode fazer de tudo para
silenciar o chantagista.
-Mas, Senhor, qual a solução para isso? O General Augusto é do tipo de pessoa que mataria um chantagista.
-Eu adotei um anjo da guarda. Ou seja, outra pessoa que sabe da informação e se eu morresse espalharia para todos.
-Boa idéia, Senhor.
-O problema, Dante, é que essa pessoa morreu engasgada com
ervilhas. Você mesmo a viu, estava no funeral, naquele
caixão aberto ao lado de Hélios. Dante, você
gostaria de ser o novo anjo da guarda? Você concordaria em ser o
segundo portador de uma informação que abalaria toda a
estrutura do exército brasileiro? De conhecimento que se bem
usado, poderia salvar milhares de vidas?
-Sim, Senhor. Estou pronto para assumir essa responsabilidade-disse
Dante com postura madura, porém, ainda temendo do que viria ser
o segredo.
Dante não fazia idéia de como se envolver com isso mudaria sua vida. Leon contou e Dante ficou horrorizado.
CAPÍTULO 9
João Carlos Ferreira, 31 anos, casado e atualmente piloto do
exército, esperava o momento em que seu superior desse alguma
instrução para dirigir o helicóptero H-088 de
volta para a civilização. Já havia um mês em
que ele, o General Augusto e uma mulher que ele não sabia o nome
(apenas lembrava-se de seus sapatos extravagantes) havia chegado nesse
quartel abandonado no meio da floresta amazônica. Ela havia
deixado bem claro que se ele aparecesse perto das
instalações principais ou de alguma maneira transmitir
sua localização, levaria diversos tiros que o matariam.
Ela fez questão de acrescentar que os tiros não seriam
letais até ela cansar-se de tortura-lo e estourar seus miolos
com sua AK-47 rosa. João Carlos Ferreira embora já
estivesse acostumado com tais ameaças, pois costumava fazer
muitos serviços desse tipo, sentou-se em sua cama e olhou pela
janela para as instalações secretas. O que estariam
planejando lá?
Nas instalações Ivy discutia com Augusto:
-O incompetente do Hélios não conseguiu derrubar Leon?
-Não, mas até que foi útil, os soldados estão mais encorajados, estão se exercitando mais!
-De acordo com as informações que chegaram nas cartas
ontem nem mesmo o material de chantagem dele pode nos deter mais.
Hahahaha!
-Tomara minha cara, tomara.
CAPÍTULO 10
Imagine-se seis meses de puros exercícios que acabam com o seu
organismo sendo praticados todos esses dias, sem ao menos nenhum fim de
semana. Imagine toda as manhãs você ter que aproveitar ao
máximo os quinze minutos iniciais do dia para fazer tudo o que
nós, pessoas normais, fazemos em uma manhã. Os argumentos
de que estava lá para pagar pelo fato de ter deixado Cazu
morrer, as piadas de Joselito e o apoio moral de Leon não
serviam mais. Dante iria enlouquecer. Vária vezes pensou no
suicídio, mas, com a responsabilidade de manter o segredo sabia
que essa idéia era inconcebível. Tomou uma
decisão. Já que seu corpo e sua mente logo, logo seriam
destruídas pelo sistema de treinamento, umas coisas ele
salvaria: Seu coração.
Mas Dante possuía plena consciência de que aparecer sem
mais nem menos na frente de seu grande amor não era uma grande
idéia, principalmente quando essa pessoa era casada com seu
superior direto que poderia mandar mata-lo a qualquer momento. A
oportunidade surgiu numa dessas tardes chuvosas, enquanto Dante fazia o
exercício de peso no pátio arrebentando seus
tendões para levantar um peso três vezes maior do que
qualquer instrutor recomendaria. Durante o exercício, Dante
encontrou uma aliança. Nela havia escrito "Augusto" e uma data,
"1969". Logo Dante percebeu que a aliança pertencia a Paula.
Resolveu devolver, mas só no dia seguinte. Enquanto não
chegava a hora, ele ficou se perguntando o que a aliança fazia
ali no chão.
Mais uma terrível manhã começaria, mas Dante
não foi ao pátio respirar gás lacrimogêneo,
em vez disso foi ao gabinete do General Augusto, temporariamente
ocupado pela sua Mulher, Paula.
Toc! Toc! Toc!
-Entre!
-Com licença, Senhora, acho que isso lhe pertence.-Disse Dante mostrando a aliança para Paula.
Paula com lágrimas nos olhos respondeu:
-Não mais! Não quero nada que me lembre aquele animal!
Sabe soldado, há uma semana eu estava arrumando o quarto e
encontrei debaixo do colchão essas cartas...E nelas...-
Paula começou a chorar compulsivamente.
Dante leu e nelas Ivy comentava sobre seus planos maléficos e falava sobre o caso que ela e General Augusto tiveram.
-Eu já sabia desses planos. -Disse Dante
-Como?-Indagou Paula.
-Leon me contou.
-Temos que impedi-los, Dante. Não podemos deixar eles matarem tanta gente.
-Mas como?
Essa foi a pergunta que interrompeu a conversa. Mas depois de alguns minutos pensando, Dante finalmente disse algo.
-Precisamos de ajuda...Leon! Ele sabe. Podemos fazer ele parar a chantagem para confessar.
-Leon é muito bom para deixar alguém fazer tal catástrofe.
-Ele deve ter algum bom motivo, mas não o
suficiente...Precisamos falar com ele.
-Pra começar Dante, você não está com
condição física ou psicológica para impedir
qualquer conspiração.
-Vamos fazer o seguinte: Eu te entrego uma carta branca (algo como uma
dispensa dos treinamentos válida por 3 semanas) e quando
você estiver um pouco melhor nós faremos uma
reunião para saber como parar aquele monstro. Ok? - Disse Paula
mostrando-se ser muito mais do que uma mulherzinha chorona que
não passa de um adorno para homens de importância.
Dante que nem sabia o que era ficar sem exercícios penosos, respondeu:
-Sim, obrigado.
Dante estava quase saindo quando Paula disse:
-Passe na minha casa amanhã, tenho alguns quadros interessantes para te mostrar.
Dante ficou mais do que animado e logicamente aceitou o convite.
CAPÍTULO 11
Dante não conseguia pensar em outra coisa, mesmo porque
não havia em que mais pensar. Um homem de 19 anos pela primeira
vez fez sua barba. Tomou um banho de água gelada, algo que
não fazia há tempos e foi para a casa de Paula.
A casa ficava perto do quartel, dentro de um bairro nobre, e Dante
realmente achava que as coisas estavam melhorando, pois nunca havia
entrado em uma casa tão grande quanto à daquele bairro e
uma mulher tão linda como Paula não tinha costume de
chamá-lo, principalmente, para ver quadros. Quadros nunca
chamaram a atenção de Dantes, pois, quando livre, estava
ocupado demais apanhando, se drogando, bebendo e fazendo
marginalidades. Ele não tinha idéia de como sua vida
mudaria a partir de agora.
Dim!Dom! Paula atendeu, estava maravilhosa, com um vestido vermelho
decotado e detalhes de flores. Dante chegou a se assustar com toda
aquela beleza, principalmente nessa fase de sua vida, onde só
via mulheres em revistas masculinas.
-Entre.
-Com licença.
Como Paula estava tão bela, Dante começou a pensar que a
história dos quadros fosse só um "Pretexto" para ele ir
até sua casa. Mas depois de 30 minutos olhando quadro, percebeu
que o convite era verdadeiro e como não havia saída,
resolveu entrar profundamente no assunto.
1 hora depois, eles estavam tomando lanche, foi quando eles
começaram a discutir sobre como deteriam Augusto. Dante
não sabia, mas Leon estava preste a entrar na casa de Paula,
como foi convidado.
Leon entrou e logo foi dizendo.
-O que vocês sabem até agora?
-Somente o que o senhor me contou.-Disse Dante.
-Eu sei que o Augusto está sendo apoiado por políticos
estrangeiros e bolou um plano sinistro que envolve soldados atacarem
uma pequena vila de garimpeiros na Amazônia, para levar todo o
ouro que os garimpeiros conseguiram com muito esforço - disse
Paula fazendo uma pausa para tomar suco.
-E ainda simular um ataque de guerrilha para enquanto os soldados lutam
entre si, pensando que estão lutando contra guerrilheiros, a
amante dele, Ivy Shuafflan Nasseaur faria uma fortuna vendendo armas de
alto calibre, como sua linha de Ak-47 rosas que seria o Maximo para
mulheres de estilo e atitude, como ela diz em seu comercial.- Continuou
Paula controlando-se para não chorar nem se deixar fazer uma
besteira que envolveria a sua Ak-47, presente de Ivy em épocas
passadas.
-Isso mesmo. Eu só não denunciei isso para as
autoridades, porque estava investigando quem eram os políticos
envolvidos nisso.- Explicou-se Leon.
-Além disso, ele planeja usar a lei que diz que, um general
poderia tomar o controle do país em caso de guerra interna.-
Disse Dante completando o que os outros dois não disseram.
Mas como se para um general sedento por sangue, dinheiro e poder? Essa
dúvida martelou os três por horas até que Dante
finalmente teve uma idéia:
-Paula, você disse que Ivy é dona de uma fabrica de armas, certo?
-Sim...-Disse Paula sem entender a lógica do soldado Dante.
-Logo, alguém na fabrica dela deve saber onde ela está!!!!-continuou Dante.
-Isso mesmo! Sabendo onde aquela mercenária está,
poderíamos prender eles, com o apoio de pessoas que eu
conheço.Vou contata-las agora mesmo!!!!- disse Leon saindo
correndo
Dante estava na porta quando Paula disse:
-Dante, obrigada. Você salvou milhares de vidas, inclusive a
minha. Acho que trazer você para o mundo das artes, não
é o bastante. Deixe-me agradecer de uma maneira mais apropriada.
Beijaram-se.
|
|