Mural de Textos



Poesia de Fernanda:


Rejeição


Sempre sou a última
Sempre sou a rejeitada
Todos à minha volta
Acham que eu não valho nada
Ninguém se importa comigo
Nem querem saber como me sinto
Não tenho coragem de falar
Mas, não faz diferença
Não tenho ninguém para me escutar...
Se ao menos soubessem,
Quem sou, por que sou...
Acho que não agiriam assim
Acho que se importariam mais
Acho que cuidariam mais de mim
Não posso mais correr
Não adianta mais me esconder
Na minha vida eu sempre vou temer
Temer a perda, mesmo quando
Não tenho ninguém...
Temer a fúria dos que não me conhecem
Temer a amargura de ficar sozinha
Para sempre!!
Sou o que sou, não consigo mudar
Eu só preciso de alguém...
Alguém para me ajudar
Ninguém me entende plenamente
Se ao menos "uma" pessoa
Me compreendesse
Eu seria muito contente!







Poesia de Gabi:


A vida


Descobri que a vida é feita de coisas
que a gente nem imagina,
não espera,
e nem acredita.

Coisas boas, que às vezes são mais do que
simples sentimentos.
São momentos inesquecíveis e
vividos com a alma!

Mesmo sofrendo com as coisas ruins da vida
elas conseguem nos mostrar,
que errando se aprende e
verdadeiramente o mal, é o pior caminho.

Não sei se consegui tudo o que eu queria
passou tudo muito rápido, mas...
tenho certeza que o que eu realmente ganhei,
foi a vida!






Poesia de Helenyzinha:


Um Avião, Uma paixão.
(2006)


Alberto Santos Dumont sonhava...
Santos Dumont acreditava.
Dumont esperava e confiava.
Em 1906 tudo se realizava.

Um sonho, uma realidade.
Um vôo, uma conquista.
Um passo, uma paixão.
Um amor, um clube.

Dalmácio e Jacinto sonhavam.
Luiz Gonzaga de Aguiar acreditou,
Esperou e investiu.
Em l940 o aeroclube fundou.

Um avião, um aeroclube.
Sete segundos no ar transformaram-se
Em sessenta e cinco anos na vida
E na história de um povo.

Ao longo dessa história,
Transformações, conquistas,
Derrotas, vitórias,
Realizações e oportunidades...

De fazer sonhos voarem.
Além da imaginação,
Além das limitada sorte de um homem,
E mais alto do que um 14-bis...






Poesia de Juliana:


O Mundo da Leitura
(2006)


Romance, drama
Ficção, aventura,
Conclusões matemáticas
Tudo isso é leitura.

Entrar em um mundo novo
Aproveitar o tempo
Rios de chocolate
Viajar com o vento.

Soma, divisão
Potencia e subtração
Ciências exatas
Humanas e bicho-papão.

Escolha um estilo
Leia um livro
Seja qual for o escolhido
Será o seu amigo.

Conhecimento, raridades
Animais ou diversão
O mais importante de tudo
É dar asas à sua imaginação.







Poesias de Lah:


Soneto da Declaração


Primavera. No ar, o doce aroma exalado
Por uma delicada flor ao nascer
Apenas indica a hora. A hora de florescer
E com suas pétalas, ter seu corpo enfeitado.

Sua beleza exuberante, que me deixa sufocado
Dá-me a esperança de um novo viver;
Pois será somente com você, que irei ser
O homem mais feliz, o mais amado.

Te amo! Não me deixe sozinho!
Você foi o milagre que mudou minha vida
E me trouxe uma nova esperança.

Agora que lhe dou essa aliança,
A nossa frente se abre um novo caminho.
Finalmente é Verão. E o sol testemunha a nossa partida.


Procura


A minha vida inteira procurei,
Mas sempre chegava no mesmo lugar.
Jornadas em vão, destino incerto.
Meu coração sangra
E minha alma se dispersa.
Haverá um milagre? Tolice!

A solidão é minha sombra
E o desespero, meu espírito.
O ar me falta, estou sofrendo;
Nada vejo, nada acontece.

Se um dia fui feliz,
Não me lembro.
Minha única lembrança
É de um dia terem pisado
Em meus sentimentos.
Um pequeno impacto, porém certeiro.







Poesia de Lily Yo Nyiara:


Solidão


O Silêncio que cai das lágrimas de nossos olhos
Distancia-se cada vez mais
Indo para um mundo em que o medo se espalha
Onde o próprio silêncio não é mais permitido
Onde nesse mundo, não tem nada mais que guerras,
Morte e sangue,
O silêncio que cai das lágrimas de nossos olhos
Muda de casa em casa
Deixa outros com saudades
Deixa seus sonhos de infância para trás
Deixa o medo sem solução
O silêncio que cai das lágrimas de nossos olhos
Se distingue por uma característica
É uma coisa que não se conhece
Que acha que fingir é a melhor opção
Essa coisa é algo que não se aceita
Essa coisa é a solidão.


Meu mundo desabado
(2006)


Sonhei acordada
Na verdade, despejada
Só querendo a verdade
Só querendo a realidade

Será que poderia mudar
Sobretudo que eu quero é te amar?
Fazendo de tudo para não morrer
Apenas tentando não te querer

Sentindo meu mundo desabar
Duvidando do que devo fazer
Tentando apenas não chorar
Lutando para não morrer

Eu te amei







Poesia de Lucas:


Os que não podem
(03/08/2006)


Falo em nome dos que não podem nascer
Dos que não podem falar
Dos que não podem viver
Dos que não podem sonhar
Dos que não podem correr
Dos que não podem brincar

Não deixaram nem ele nascer
Como pôde? Ela o matou
Coitado ainda era um pequeno ser
Como teve coragem? Aquela que o gerou

Médicos, os que teriam que salvar
Agora matam
No intuito, de apenas ganhar

Assassinos o impedem de viver
Sem chance de defesa da criança
A justiça deveria prender
Num crime sem fiança

Isso não tem compreensão
Ela era sua mãe
Ela não tinha coração

Falo em nome dos que não podem falar
Peço, apenas a vida
E o dom de amar.


Louco com loucura
(24/10/2006)


Seu louco
Quem é louco?
Você é louco
Eu não, você
Mas o que é ser louco?







Poesia da Luna:


Querer é poder - ou não
(2006)


Eu bem que quis,
Mas cheguei à conclusão que...
Querer, realmente não é poder.
Eis a prova disso:
Quero ter você,
Mas não posso.
Eu bem que quis,
Mas de nada adiantou
Contanto aqui deixo um beijo,
Para alguém que nunca me amou.


Anjo
(2006)


Sei que você me ignora,
Sei que você nem me olha
Sei que não quer nada comigo.
Mas pelo menos uma vez na vida
Ouça o que eu vou dizer,
Preste atenção em mim.
Eu fui seu anjo da guarda.
Eu cuidei de você.
Mas eu acabei me perdendo.
Por isso estou aqui,
Pra cuidar de você.
Agora pra sempre,
Jamais te deixarei novamente
Agora ousas me ignorar?
Sempre, sempre me ouça;
Sempre, sempre irei te amar.

(Este poema eu dediquei à minha meia-irmã,
Caroline, a quem não vejo há 2 anos)







Poesia de Reinaldo Amaral:


Máscaras
(2006)


Será que tudo
neste sombrio mundo
perdido no universo
é o que realmente diz ser?
Máscaras não nos iludem
escondendo a verdadeira face?
Os lábios mostrando
um sorriso tranqüilo,
enquanto o olhar
mostrando a alma
pedindo socorro
em meio a lagrimas,
e perturbada diante dos males
que recobrem o ceu azul.
Me vejo agora, só,
neste mundo escuro
diante de tantas faces
com suas mascaras
e seus olhares,
sem saber decifrar a alma.
E sem perceber,
vejo uma mascara,
recobrindo minha face e escondendo
meu escuro mundo,
minhas lagrimas de solidão
e meus gritos de desespero.


Minha dor, o amor
(2006)


Meu coração,
Minha vida,
Minha alma,
Tudo se perdeu,
Tudo se acabou,
Tudo morreu,
Só por causa do amor
Essa desgraça







Prosas da Amanda:


Simples Palavras
(06-01-2007)


- "Precisamos conversar", você disse.
- "Precisamos conversar", e eu estremeci.
Desde quando tais palavras se tornaram tão obscuras aos meus ouvidos? Desde quando ouvir meu nome se tornou tão necessário? Desde quando o pesadelo em que eu te perdia se tornou real?
E então, o medo do final se aproximar ficou mais forte. E então, o que eu mais temia estava em minha frente. Estava lá, mas eu não reagi. Estava lá, e eu deixei que ficasse.
Mas, eu só queria saber por quê. Por que não podia te acompanhar? Por que não aceitara a proposta de ficarmos juntos todo o tempo? Por que recusara o meu pedido? Por quê? O seu problema era tão grande quanto o nosso suposto amor?
Palavras como "sempre" e "paciência" foram rapidamente apagadas de nosso vocabulário, apesar do grande papel que exerciam.
Mas, alguma coisa me diz que ainda não acabou. Aliás, nem começou direito.


Um ano
(22/11/2006)


Daqui poucos dias fará um ano que eu conheço algumas das pessoas mais importantes.
Pessoas que alegraram minhas tardes monótonas sem mesmo me tocar. Pessoas que me fizeram rir e chorar.
Pessoas que são capazes de me entender.
Naquele lugar não havia regras e muito menos limites.
Naquele lugar, suas mais loucas fantasias eram realizadas com o simples ato de digitar uma frase em seu computador. Aquela definitivamente não era só mais uma "comunidade de Orkut"
Sabe, se eu expusesse minhas fantasias em QUALQUER outro lugar, a reação das pessoas seria de desprezo ou discordância, mas não ali.
Ali eu pude conhecer pessoas que me fazem sentir à vontade.
E foi assim que, reunidos, mudamos.
Dando um pouquinho de si e recebendo um pouquinho dos outros. Formamos uma família grande e feliz.
Quando os encontro, frente a frente, é uma sensação deliciosa. As horas que passo com eles nesses encontros são maravilhosamente divertidas. São perfeitas. Eles são o que eu sempre quis.
Nunca pensei que pudesse amar tanto através de uma tela de computador.


Recado
(22/11/2006)


Na verdade é raro afastar meus pensamentos de você. Na verdade, a vontade que tenho é de lhe contar tudo e depois fugir. Na verdade, o que você mantém com "ela" me entristece muito. Na verdade, eu te amo.
Quanto tempo se passou desde que eu gostei de você?
Eu tentei me aproximar, tentei dizer como me sinto, tentei não chorar. Eu tentei acreditar que não sinto nada, tentei afastá-la de você. Eu não consegui.
Estarei esperando.


Vingança
(2006)


- Não quero ser chato, mas acho que você está indo longe demais com isso - disse Marcelo, preocupado.
- Não, nunca! Não posso perdoar o que fizeram com o meu pai. Respondeu Bruno, arrumando o que usaria mais tarde. - Aliás, se conseguirmos arrancar a cabeça daquele capanga do Seu Jorge, ninguém mais no vilarejo nos tratará como crianças!
- Mas você não acha que vai machucar? Indagou Marcelo.
- Machucar, não... Olha, eu arranjei algumas proteções... Bruno disse com um tom despreocupado.
- Vai machucar, sim. Vai machucar o seu coração.
Marcelo fitou Bruno com um olhar vazio. Bruno estava inerte.
Quando as coisas começaram a ficar assim? Desde a morte de seu pai, Bruno só pensava em se vingar, mas o que faria depois disso?
A única coisa que o movia era a vingança... a vida de Bruno era tão fútil a ponto de não ter achado um objetivo mais útil e menos cruel.
Bruno se viu perdido em seus pensamentos, e, depois de muito refletir percebeu que Marcelo nada tinha a ver com esse episódio.
- Estou fora. Disse Marcelo.
- Okay, eu imaginava. Respondeu Bruno, angustiado.
- E agora, o que vai fazer?
- Realmente não sei, esse assunto me prendeu a atenção por tanto tempo que não sei mais como devo viver. Não sei onde me refugiar.
- Sabe, acho que entendo essa sua obsessão. Não é todo dia que um dos capangas de seu vizinho mata seu pai... Marcelo estava se dirigindo a sua casa, enquanto Bruno o seguia.
- Hum, isso é verdade, e eu preciso de um banho.







Prosa de Carla:


Prejuízo de uma Profissão
(2007)


Eram oito horas da noite. Laura terminava de se arrumar, teria uma noite longa pela frente.
Apressada fitou sua imagem no espelho: saia curta, blusa agarrada e salto alto. Maquiagem apropriada para a noite.
'É assim que eles gostam' pensou consigo.
- Mãe!
Estava tão absorta no espelho, que nem ouviu sua filha chamar.
- Oi filha!
- Vai ter um passeio na escola, nós vamos conhecer um parque de diversões, só que tem que pagar, deixa eu ir mamãe por favor!
Calmamente Laura sentou sua filha na cama e foi explicando:
- Ah meu amor! Você sabe que as coisas estão difíceis aqui em casa, eu estou com telefone, água, luz e o aluguel atrasado. Não, não faz essa cara Helô. Um dia, você e eu vamos juntas nesse parque, tudo bem?
Heloysa desceu da cama e foi para o quarto assistir tv.
Com os olhos marejados, Laura pensava por que não conseguia dar uma vida melhor pra filha. Enxugou os olhos para não borrar a maquiagem, olhou o relógio e resolveu partir. Foi até o quarto se despedir da filha.
- Amor, a mamãe ta indo, ta? Tem comida quente no forno, não abre a porta pra ninguém a não ser pra tia Elisa ta.
Saindo, parou na porta:
- Filha!
A menina virou o rosto pra mãe.
- Te amo!
- Eu também mãe.
Já na rua, lembrava de sua vida. Ser mãe aos quinze anos não foi fácil. Mesmo agora com vinte e cinco, não conseguia nem colocar comida na mesa direito. Chegou à praça. O que era pra ser um lugar público, tornara-se palco de uma vergonha.
Todas as noites era a mesma coisa. Ficava parada, se oferecendo aos carros que passavam, na busca de um possível cliente, um dinheiro que já desse pra alguma coisa. Se ao menos conseguisse um emprego!
- Quanto é que você cobra? - um cara, no carro parado, perguntava na lata.
- Trinta reais - respondeu.
O homem olhou-a dos pés a cabeça e, com um aceno, pediu para ela entrar no carro.
Só então foi perceber que ele estava embriagado, tinha os olhos muito vermelhos.
Chegaram em um motel muito luxuoso, na saída da cidade. Percebia-se que o homem tinha posses.
Com uma expressão de tédio no rosto, acompanhou-o ao quarto.
Após trancar a porta, ele jogou-a brutalmente na cama e começou a arrancar sua roupa. Assustada, ela se arrependia de ter aceitado o programa. O homem estava tão bêbado que nem agüentava ficar em pé, fora um milagre ter conseguido dirigir. Ao mesmo tempo, parecia nervoso, fora de si. Tomando uma decisão, ela foi se levantando da cama.
- Aonde pensa que vai? Indagou ele furioso.
- O senhor não está se agüentando em pé, eu devolvo o dinheiro e vou embora, tudo bem?
A resposta foi um tapa na cara. Louco, o homem começou a agredi-la. Ela começou a gritar, mas ninguém ouvia, procurou alguma coisa para detê-lo, mas não encontrava. O desespero foi tanto que sem saída, mordeu o braço dele, e correu até a porta, gritando por socorro. Mas, nesse momento, foi puxada para trás e jogada na parede.
Por alguns instantes ficou parada, sentindo uma forte dor na cabeça. O sangue começou a jorrar e sem forças caiu no chão. Quando deu por si, o acompanhante já havia partido. Se arrastou até o telefone e discou o número da casa, sorrindo quando ouviu a voz da filha.
- Alô?
- Oi Amor, tudo bem? Parece que você ta com uma voz tão estranha...
- Não é nada, a mamãe só ligou pra dizer boa noite. Eu te amo muito viu? Não esquece ta?
-Eu também mãe, eu também... mãe? Alô... Mas do outro lado da linha nada mais se ouvia.
"Ah meu Deus, como a minha filha vai viver..." E assim pensando, Laura fechou os olhos permitindo que as lágrimas escorressem, e que o último sono chegasse.
Um estrondo na porta, e pessoas chegando, tarde demais...







Prosa de Fang Moanrupt:


RELIGIÃO E RAZÃO, SAGRADO E PROFANO : UNIÃO



Há tempos se diz, em todos os lugares, que religião e razão são duas coisas distintas e, na maioria das vezes, opostas entre si, que jamais se unem. Seriam dois mundos diferentes, separados, inconfundíveis. Porém, isto nem sempre é verdade , e por serem necessários, devem ser unidos para melhor interpretar o mundo.
O homem é um ser racional, apto a agir e refletir conforme seus interesses, e pode construir seu próprio caminho. Com a cultura e os conhecimentos, busca explicar o mundo em que vive. Mas... e quando não é possível explicar?
Como elemento profano, da vida cotidiana, do concreto, do explicável, o Homem se refugia no sagrado para sua vida não perder o sentido. Sempre que há mistérios, há a presença do sagrado. E conforme os laços culturais, o Homem busca explicações nas suas crenças, no além, abstraindo o mistério. Um claro exemplo é a riquíssima mitologia grega, que por meio da identidade, explica os mistérios sem respostas. Une, ainda, aspectos dos dois mundos, caracterizados por intrigas e conflitos entre os deuses. Um mundo nunca esteve separado do outro.
Atualmente, a razão já explica uma gama de fatos e processos, antes desconhecidos. Porém, este refúgio espiritual ainda é importante, ao encararmos dificuldades e mistérios, para não nos decepcionarmos e desistir E vai além.
Mais do que nunca, neste mundo com tantas informações e pensamentos, é necessária a união entre o sagrado e o profano, para não nos perdermos na confusão que o novo ritmo de vida proporciona. Só por meio desta união, podemos determinar em sólidos alicerces os valores morais e éticos que regem a sociedade, ou restabelecermos estes valores, muitas vezes perdidos, e ainda, interpretar a religião e nossas crenças, compreendendo as mensagens e significados por meio da reflexão. Só assim progredimos e evoluímos.







Prosa de Fleron:


Sagrado e Profano
(2006)


O sagrado e o profano assumem grande importância para o indivíduo e para a sociedade.
O sagrado, desde tempos remotos, demonstra a busca incessante do homem por, entre outras coisas, explicação para os fenômenos naturais e para sua própria vida; porém os mitos e a fé religiosa, a qual só é possível pela existência de uma fé humana, não deve ser tida como "verdade absoluta", e deve passar pelo crivo da razão, considerado do universo profano, assim podendo atingir o equilíbrio.
O sagrado em alguns casos, principalmente a fé religiosa, nos transmite alguns preceitos morais fundamentais para a convivência em sociedade, como: amizade, fraternidade, entre outras; entretanto alguns preceitos morais, que, ao meu ver, são errôneos ao transformar tais princípios em "tabus" ou dogmas que tentam restringir a vida do indivíduo, mas que precisam ser avaliadas se corretas ou não. Um exemplo, que considero importante, é a caridade e a igualdade que a fé religiosa, principalmente formada, no caso cristão, durante o chamado "cristianismo primitivo", em que não existiam diferenças e hierarquias entre os membros da Igreja. Nesse momento inicial do cristianismo a Igreja era um lugar de reunião de fiéis. Porém a partir do momento em que a religião católica torna-se religião oficial do Império Romano, surge o "cristianismo institucionalizado" e hierarquizado, grande parte desses preceitos dessa fé religiosa primordial foram perdidos.
Em nossa sociedade um triste fato vem se tornando comum: a profanização do sagrado, um exemplo é o Natal, que primordialmente representava uma reunião e comunhão realizada para celebrar o nascimento de Jesus Cristo, se tornou uma festa profanizada, em que as pessoas só se lembram dos presentes e esquecem o verdadeiro sentido do Natal.
O profano nos permite enxergar alguns fenômenos cientificamente evitando por exemplo uma alienação gerada pela crença impensada em um mito ou religião.







Prosa de Gabriel FS:


Aerobaldo
(2007)


Aerobaldo era um pacato funcionário público que, finalmente, iria realizar seu sonho: conhecer a cidade de Oslo, a capital da Noruega.
O avião havia decolado há algumas horas e, para Aerobaldo, tudo era novidade, já que aquele era seu primeiro vôo. Sobrevoavam o oceano Atlântico e tudo corria, ou melhor, voava tranquilamente, até que o piloto disse que estavam ficando sem combustível e o avião apresentava problemas técnico, por isso teriam que fazer uma escala no Egito e só partiriam no dia seguinte.
No começo, Aerobaldo ficou desapontado, mas, depois se animou e foi conhecer os vários lugares da região. Aerobaldo foi visitar o templo de Luxor, um templo dedicado aos deuses egípcios e construído pelos antigos egípcios que viveram naquela região há mais de 4000 anos antes de Cristo. Ele se encantou com a arquitetura e a escrita antiga que eles usavam, os hieróglifos.
No dia seguinte, aerobaldo decidiu cancelar o vôo para a Noruega e ficar por ali mesmo. Como ia voltar para o Brasil só no fim do mês, ele foi ver as outras incríveis construções do Egito. Foi ver as Pirâmides de Gizé, onde os faraós Queóps, Quéfren e Miquerinos foram sepultados, o templo de Karnak, as catacumbas do Vale dos Reis, onde estava enterrado o corpo do faraó Tutankhamon, que morreu com apenas 18 anos, e muitos outros lugares.
Aerobaldo teria que voltar para o Brasil, mas, nunca iria esquecer o Egito, um lugar com muita cultura e conhecimentos. Ele decidiu que, nas próximas férias, iria visitar muitos outros lugares interessantes como a Grécia, a China, e o Peru ou Bolívia, lugares onde existiram as grandes civilizações dos maias e dos astecas.
Aerobaldo descobriu muitas coisas no Egito e vai descobrir muito mais no ano que vem. Mas, a Noruega terá que esperar mais um pouco.







Prosa de Kyo:


A Verdade ou a mentira: uma questão de conveniência
(20/04/2007)


Quantas vezes por dia será que mentimos para fazer com que as pessoas se sintam bem, ou para não nos enxergarmos em uma situação vergonhosa?
Pois é, são muitas as vezes, e é aí que encontramos a mentira como uma questão de conveniência - essas são as conhecidas mentiras sociais, pois é a partir delas que a sociedade entra em harmonia.
Mas, além dessas mentirinhas existem também as mentiras prejudiciais.
Um exemplo que posso dar como uma mentira prejudicial é a de esconder um foragido da lei dentro de sua casa e dizer para a polícia que jamais viu aquele sujeito. É muito mais grave do que uma mentira sobre o vestido de uma mulher se está bonito ou não, não é?
A mentira pode servir para manter o equilíbrio na vida em sociedade, mas devemos moderar o seu uso para que ela não se transforme em uma catástrofe que prejudicará a pessoa para quem você está mentindo e também a si mesmo.







Prosa de Martin e Renan Prado:


Baseado em fatos reais



CAPÍTULO 1


8 de março de 1955, Dante nasce. Seus pais ficaram emocionados. Não era o bebê mais bonito do berçário, mas seus pais aceitaram o fato. -Vamos para a casa!- Disse seu pai depois de alguns dias. Sua casa era modesta e ficava no centro de São Paulo, com vizinhos que também tinham bebês de quase a mesma idade.
Poucos fatos marcaram a infância feliz e tranqüila de Dante, exceto pela vez em aos quatro anos, quando flagrou um ato sexual dos seus pais, logo após eles explicaram o que estavam fazendo. Dois anos mais tarde viu seu pai morrer atropelado pelo ônibus de uma dupla sertaneja, gênero de música o qual odiava.
É o fim desse prólogo.
Nossa história começa com Dante aos quatorze anos viajando em um ônibus com seus dois amigos vizinhos, Joselito e Cazu.
- Rio de Janeiro, aí vamos nós!- Disse Dante.
- Nem acredito que você conseguiu dinheiro para o Show do "The Wonders", Cazu!-Falou alegremente Joselito.
- Foi fácil, eu vendi isso.-Disse Cazu, mostrando em sua mão alguns pacotes de maconha.
- Guarda isso!-Alertou Joselito, com medo de alguém do ônibus ver a droga.
- Joselito, você não sabe brincar! Você até quebrou a perna da minha mãe e agora ta com medo disso!-Falou Cazu.
- Depois a gente vê essa parada.- Dante disse.
Chegando à estação, eles desceram e foram até o primeiro moquifo que encontraram e se hospedaram.


CAPÍTULO 2


- E aí? Vão querer a parada?-Perguntou Cazu.
- Pra provar que eu sei brincar, eu vou querer!-aceita Joselito.
Dante também aceita. Um jovem de quatorze anos, cheio de espinhas na cara e cabelo comprido, estava iniciando um ciclo vicioso onde fazem parte, alucinações tenebrosas vícios agonizantes, profundos desgostos que marcariam sua adolescência. A primeira vez foi demais para ele, depois de fumar um pouco, sentiu uma forte dor de cabeça e desmaiou.
Seus amigos ficaram sem saber o que fazer!
- Acorda! Dante! Acorda!
Gritavam seus amigos enquanto chacoalhavam, agitavam e tentavam anima-lo.
- Acorda! Dante! Acorda!- Disse Cazu.
- Vai meu!- gritava Joselito.
- Ahhhhhh!-grita Dante de repente.
- Ele está vivo!- Disse Joselito finalmente.
- Claro! Esse negócio é mó fraco! E se matasse era proibido!
- É proibido! SUA ANTA!!!!- Disse joselito.
Essa viagem foi bem mais do que a primeira vez na droga, eles foram ao show do "The Wonders", ouviram "I need you", zoaram, beberam, fumaram, cheiraram e mataram (formigas...) no show. Nem suspeitavam que essa viagem iria acabar mal.
Quando voltou para sua casa em São Paulo, sua mãe, claro, nem desconfiou de seu olho vermelho, cansaço e cheiro de ervas. Ele manteve esse ritmo natural até sua segunda sua viagem ao Rio de Janeiro, onde passou de todos os limites estipulados pela sociedade e acabou com o último vestígio de humanidade que ainda havia em seu coração dopado.
Quando viajou pelo Rio de Janeiro novamente com seus amigos, aos dezesseis anos, Dante repetiu a dose, fez tudo o que havia feito antes e ainda mais. Na rodoviária a tensão aumentou, pois um policial que havia no local sentiu o cheiro da droga quando um de seus amigos passou perto. Então, resolveu investigar o grupo de jovens agitados e de comportamento estranho. Foi uma correria geral, felizmente, Dante, Joselito e Cazu não estavam entre os amigos que foram pegos. Sorte deles, pois os que foram pegos levaram uma surra dos policiais uma vez no xadrez. Vale a pena ressaltar que nessa época existia a ditadura militar e os policiais podiam fazer tudo o que quisessem.
Depois da turbulenta viagem para o Rio, Dante e aqueles que não foram pegos pela polícia, voltavam para São Paulo. No meio da viagem, uma mistura de pensamentos de medo, de culpa e um pouco de droga fizeram com que Dante escrevesse um poema que mostrava todo o medo e pavor de sua vida louca, como se Dante tivesse prevendo o que aconteceria em breve.


CAPÍTULO 3


A mãe de Dante só foi saber das drogas no pior momento possível: No funeral de Cazu.
- Buaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!- Disse a mãe de Cazu.
- Aquele maldito!!! Como ele pode fazer isso conosco?- disse seu pai furioso
- Eu disse!!! Droga só poderia dar nisso. Juro por deus que nunca mais coloco um baseado na boca!!!- disse Joselito Chorando.
- O que!!!!! Você também está envolvido com isso? - disse a mãe dele?
- BUAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!
- E você Dante? Não minta pra mim!- Disse a mãe de Dante desconfiada do filho.
- É verdade mãe não adianta mais mentir!- Disse Dante que passava o pior momento da sua vida.
A surpresa foi tão grande para a mãe que saiu correndo do funeral, dizendo bem alto que Dante não era mais seu filho.
Dante passou o resto dos dias jogados pelos cantos da casa se punindo pelo o que aconteceu. Ficava acelerando lágrimas sem parar, comendo chocolate, batendo a cabeça contra a parede, assistindo desenhos e pensando em maneiras de se purificar. Como era conhecida naquela época, a ditadura militar maltratava seus soldados e era a melhor maneira de você conquistar respeito. Coisa que Dante já havia esquecido o que era. Estava decidido. Dante iria servir o exército e no dia seguinte foi se alistar. Acabou a fase de destruição e começava a época da reconstrução social e moral (com muitas pancadas e violações dos direitos humanos).
No dia 30 de fevereiro de 1975, Dante foi se alistar.
- Próximo!-Disse o General Augusto.
- Senhor, sim Senhor!-Gritou Dante.
- Qual é o nome desse imbecil filhinho de papai!?
- Dante da Silva senhor!
- Cala a Boca e tira a maldita roupa!- Imperava o General, quando sua mulher entra no local- Paula! O que você está fazendo aqui!? Haverá exame médico agora! Saia imediatamente.
Mesmo naquele lugar horrível, sendo constrangido, Dante não pode se conter e reparou a grande beleza que Paula exalava.
- Tudo Certo! Mande ele para o primeiro exame Sargento!-Disse o General quando Paula sai do lugar.
Entraram quatro soldados muitos fortes e ali mesmo começaram a espancar Dante mesmo que ele estivesse pelado.
- Mas Por que estão batendo em mim?
- Porque minha mulher viu você pelado, porque eu não gostei de você, porque aqui é assim que as coisas funcionam!
- Mas como as coisas podem funcionar assim? É um desrespeito à humanidade!-Dante finalizou sua frase antes do esperado, pois sua reflexão foi instantaneamente quebrada, com um soco no meio de sua barriga que paralisou seu diafragma, obrigando-o a parar de falar e tentar e respirar.
- Eu vou embora! Continuem espancando!- O General sai e vai fazer outra coisa.
Cinco minutos depois de muita pancadaria, entrou um homem na sala. Esse homem devia ter cerca de 2,10m de altura, musculosa e berra:
- Parem com isso agora! O que eu falei sobre esmurrar os novatos?! Saiam daqui antes que eu tenha que colocar todo mundo de penitência!
- Mas Sr. , são ordens do General.-Disse uns dos soldados morrendo de medo.
- Esse General aqui está mandando o contrário.- Disse o homem apontando para seus músculos.- Saia daqui!
- Senhor, sim Senhor!- Disseram todos os soldados simultaneamente, indo embora.
- Você está bem?- Perguntou o grande homem para Dante.
Dante ao tentar falar apenas vomitou sangue.
- Eu acho que isso quis dizer um "sim". Mas porque Augusto pegou tão pesado com você, ele não costuma fazer isso sem motivos.
- O anjo da mulher dele me viu pelado acidentalmente. Mas como o senhor pode contradizer as ordens dele dessa maneira? Ele não vai te punir?-Esse "punir" saiu com algumas gotas de sangue.
- Digamos que eu sei algo sobre ele, mas deixe isso para lá. Vá para o seu alojamento, se você puder caminhar, caso contrário vá para a enfermaria.
- Sim senhor, estou bem.
- Não venha com essa de "senhor" pra cima de mim. Para meus chapas eu sou Leon, para as almofadinhas de alto escalão eu sou Cabo Leonnardoh D'Antesinny Alenhy.
- Obrigado Leon.
- Dispensado soldado.-Disse Leon sorrindo.
Dante andou pelos frios corredores do quartel ignorando os sons de grito, ordens e tiros. Estava dolorido demais para reparar no horrível cheiro de lá, que era uma mistura de produtos químicos fortes e axilas de soldados. Sequer notou as paredes descascando e as janelas todas partidas e sujas que faziam que o frio e a poluição visual aumentasse.
Chegou. Quarto 1313 parecia simpático (pelo menos para quem acabara de sai de uma grande surra). A maior surpresa foi quando ele abriu a porta cheia de cupim: Joselito estava lá! Obviamente reclama de alguma coisa:
- Que corte de cabelo idiota! Que lugar horrível! E quem é esse zumbi na minha frente?!- Se referindo ao Dante.
- Alguém que morreu de overdose na vida e acabou de se alistar no exército do inferno.
- Dante! Você está muito mal, deite na cama! Você precisa descansar, estou preocupado com você!
- Está bem.- Disse Dante sem nem ao menos abraçar o grande amigo.
O leitor pode adivinhar como começo dessa discrição que na tempestade da vida de Dante, se alistar ao exército seria sem dúvida o pior dos tsunamis possíveis, mas enquanto leves brisas como Leon, Joselito e Paula estivessem lá, nosso nobre navegador encontraria forças para continuar enfrentando o grande oceano da vida.


CAPÍTULO 4


Plac! Plac! Plac! Um som de um salto alto, francês por sinal, ecoava no piso de madeira do único lugar decente do quartel: A área do alto escalão. Plac! Plac! Plac! Se você apenas ouvisse esse som, provavelmente adivinharia que a ruiva, 1,79m, esbelta, elegante, mulher que era proprietária dos saltos altos franceses estava com pressa. Procurava um homem: Augusto. O famoso General Augusto.
- Onde será que aquele homem foi se meter justo numa hora dessas.Mierda!- Não que ela fosse espanhola, só havia o hábito de falar palavrão com todas as 9 línguas que falava fluentemente.
- Calma Dona! Se ficar muito brava acabará ficando com o rosto cheio de rugas!- Disse o faxineiro que ouvia tudo enquanto ela passava.
- Cala a boca, oh mísero eliminador de sujeira que nós seres humanas fazemos. Olha que se continuar com esse falta de respeito, mando alguns soldados torna-lo pó para que o próximo faxineiro tenha serviço!
O pobre faxineiro não disse nada, sabia que dependendo dos contatos dela, isso poderia muito bem se tornar verdade.
A segunda pessoa à abordar o portadora do sapato foi o Coronel.
- Boun jour, Mademoiselle!
- Poupe-me das únicas duas palavras que você sabe falar em francês! E ainda em sotaque indígena!
O coronel também não respondeu, sentiu uma vontade imensa de fazer a estrangeira engolir seu salto alto, mas uma questão de quatro graus da escala dos militares, percebeu que não poderia fazer isso.
Plac! Plac! Plac! Plac! Plac! Plac!


CAPÍTULO 5


De volta ao quarto 1313, Dante ainda descansava, não que ele dormisse muito, mas havia apanhado muito naquele dia.
- Acorda bando de vagabundo!!! Hora dos quinze minutos antes do exercício diário. - Hei novato! Conte para nós depois como foi seus primeiros quinze minutos.
- O que são os quinze minutos?
- É os quinze minutos em que você faz tudo o que deveria fazer em 3 horas no dia. Tomar banho, usar o banheiro...Ah! e lembre-se desse "o", pois é apenas um banheiro, enquanto os Generais têm pelo menos 5 para cada um, pelo menos é o que dizem por aí.
Os quinze minutos de Dante foram os piores possíveis. Hematomas, cheiros horríveis, comida que é melhor não descrever que foi apreciada entre comemorações dos soldados, pois havia o que comer naquela manhã.
- Para o pátio seus animais! Quando chegarem abracem uma árvore para energizar! Okaytss? Corrrendoooo!- Disse o sargento Hélios, um homem que aparentava ser fraco e idoso demais para seu trabalho.
-Eu ainda mato esse desgraçado!- Disse um soldado na multidão.
-Isso o próprio Leon já prometeu fazer. Era o presente de natal desse ano lembra?- Respondeu outro.
- Sim. O sargento Rosélio foi o do ano passado.
- Sim. Ele foi transferido para o lugar mais fim de mundo possível.
- Bragança Paulista?
- É
- Sem falar! Sem falar! Corrrrrendooo!- Disse Hélios.
Chegando ao pátio, Dante viu, de longe, a mulher dos saltos altos entrando no helicóptero seguida pelo General Augusto. Paula despedia-se dele com uma lágrima nos olhos.
- Adeus amore!- Disse Ivy para Paula.
-Adeus, Ivy. Belos Saltos.
O helicóptero sumiu de vista.


CAPÍTULO 6



O helicóptero era um modelo H-088, bem moderno pra época. Sua pintura era nova, verde, sem dúvida era o melhor helicóptero do exército brasileiro. Bom demais para ser usado para fins particulares, como acontecia no momento, mas a pessoa que o solicitara "não aceitava helicóptero de pobre". Mas a questão não era o helicóptero em si, mas o que acontecia dentro dele. - Os planos vão de vento em poupa, não?- Pergunta o General.
- Com certeza, ninguém pode nos impedir.- Disse Ivy.
- Não comemoremos antes da hora, Cabo Leonnardoh Alenhy sabe de muita coisa.
- Você está se referindo ao mounseur Leon?HAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!!!!!!!! Digamos que ele será transferido para um lugar melhor, muito melhor! Bom, isso depende se ele foi bonzinho, senão será um verdadeiro inferno!
- Aquele desgraçado era um verdadeiro santo para os soldados.
- E quanto à chifruda da Paula? Ela sabe de muita coisa.
-Se Paula não for estuprada pelos soldados, ela se matará, de tanta tristeza que nós vamos proporcionar.
-Ela é tão ingênua que nunca conseguiria imaginar o "fofinho" dela usando o exercito para uma coisa dessas.
-Mas porque você pediu para que eu instalasse um vidro á prova de sons e imagens, para nos separar do pilotos?
- Você vai descobrir já...já Meu general!!!!- Disse Ivy chegando mais perto do general...


CAPÍTULO 7


- Okaytss pessoal! Hoje teremos o exercício favorito de vocês...Gásss Lacrimogêneo.- Disse Hélios.
A simples pronuncia dessas palavras já fez com que vários soldados vomitassem, com traumas do exercício.
- Para os novatos eu vou explicar: Logo à frente existe uma rede de túneis onde vocês cabem de que estejam agachados. Vocês vão entrar lá, em fila, e depois nós tamparemos a maioria das saídas e vocês terão que achar aqueles que não estão tampados. Ah! Também jogaremos Gás Lacrimogêneos. O Cabo Leon demonstrará agora como vocês devem agir.
Leon não imaginava que um simples exercício de rotina havia se transformado em um perigoso atentado contra sua vida. Quando entrou e a porta atraz dele foi fechada. Ele pensou o seguinte: "Vou sair daqui rapidinho".
Por mais que ele tentasse ele nunca conseguiria achar sair da, pois todas estava tampadas, por ordem do general.Todo tipo possível de desespero, ódio, raiva, seus olhos diziam o que todas suas palavras nunca iriam dizer.Todo a força oculta que os seres humanos possuem subitamente vieram ao seu corpo de 2,10 de altura, e ele surrou a tampa de concreto que se desfez instantaneamente. Dizem os presentes que em quanto lê espancava Hélio ele sussurrava uma coisa: Okaytss...
Foi uma festa! Ver o seu sargento sendo surrado e ter a semana de folga em questão do luto, pois sua morte foi decretada dois dias depois no hospital. Por um motivo desconhecido pela maioria dos homens, Leon não foi preso, por ordens diretas do General Augusto, que ligou três semanas depois para saber a situação de seu quartel. Quando já fazia um mês e três surras desde que Dante havia chegado lá, os soldados foram novamente convocados para fazer o exercício do gás lacrimogêneo, agora sem o antipático do Hélios por perto.


CAPÍTULO 8


Uma voz irritante ecoava no cemitério do quartel. Essa voz de "taquara rachada" pertencia ao capelão do exército. O capelão orava uma prece padrão escrita para caso isso acontecesse: O funeral de um oficial. Na verdade, havia dois caixões. Um aberto, pois o defunto estava arrumado e o outro fechado, pois o defunto tinha tantos hematomas e ossos quebrados que seria muito forte para se ver. Muitos dos presentes choravam pela pessoa do caixão aberto e outras muitas comemoravam pela morte da pessoa do caixão fechado.
Apesar do bom pensamento que vinha em mente de Leon quando pensava que ele mesmo havia colocado o Sargento Hélios no caixão fechado, ele ainda estava triste, pois a pessoa do caixão aberto era muito amiga sua, mais do que isso.
Leon procurou Dante no mesmo dia, quando os eles estavam sozinhos.
-Soldado Dante, o que você conhece sobre chantagem?
-Quase nada, Senhor. A única coisa que sei é que é uma maneira e convencer as pessoas a fazer o que você quer ameaçando-as.
-No mundo da política a chantagem é uma grande arma, mas perigosa para o dono, pois o chantegeado pode fazer de tudo para silenciar o chantagista.
-Mas, Senhor, qual a solução para isso? O General Augusto é do tipo de pessoa que mataria um chantagista.
-Eu adotei um anjo da guarda. Ou seja, outra pessoa que sabe da informação e se eu morresse espalharia para todos.
-Boa idéia, Senhor.
-O problema, Dante, é que essa pessoa morreu engasgada com ervilhas. Você mesmo a viu, estava no funeral, naquele caixão aberto ao lado de Hélios. Dante, você gostaria de ser o novo anjo da guarda? Você concordaria em ser o segundo portador de uma informação que abalaria toda a estrutura do exército brasileiro? De conhecimento que se bem usado, poderia salvar milhares de vidas?
-Sim, Senhor. Estou pronto para assumir essa responsabilidade-disse Dante com postura madura, porém, ainda temendo do que viria ser o segredo.
Dante não fazia idéia de como se envolver com isso mudaria sua vida. Leon contou e Dante ficou horrorizado.


CAPÍTULO 9


João Carlos Ferreira, 31 anos, casado e atualmente piloto do exército, esperava o momento em que seu superior desse alguma instrução para dirigir o helicóptero H-088 de volta para a civilização. Já havia um mês em que ele, o General Augusto e uma mulher que ele não sabia o nome (apenas lembrava-se de seus sapatos extravagantes) havia chegado nesse quartel abandonado no meio da floresta amazônica. Ela havia deixado bem claro que se ele aparecesse perto das instalações principais ou de alguma maneira transmitir sua localização, levaria diversos tiros que o matariam. Ela fez questão de acrescentar que os tiros não seriam letais até ela cansar-se de tortura-lo e estourar seus miolos com sua AK-47 rosa. João Carlos Ferreira embora já estivesse acostumado com tais ameaças, pois costumava fazer muitos serviços desse tipo, sentou-se em sua cama e olhou pela janela para as instalações secretas. O que estariam planejando lá?
Nas instalações Ivy discutia com Augusto:
-O incompetente do Hélios não conseguiu derrubar Leon?
-Não, mas até que foi útil, os soldados estão mais encorajados, estão se exercitando mais!
-De acordo com as informações que chegaram nas cartas ontem nem mesmo o material de chantagem dele pode nos deter mais. Hahahaha!
-Tomara minha cara, tomara.


CAPÍTULO 10


Imagine-se seis meses de puros exercícios que acabam com o seu organismo sendo praticados todos esses dias, sem ao menos nenhum fim de semana. Imagine toda as manhãs você ter que aproveitar ao máximo os quinze minutos iniciais do dia para fazer tudo o que nós, pessoas normais, fazemos em uma manhã. Os argumentos de que estava lá para pagar pelo fato de ter deixado Cazu morrer, as piadas de Joselito e o apoio moral de Leon não serviam mais. Dante iria enlouquecer. Vária vezes pensou no suicídio, mas, com a responsabilidade de manter o segredo sabia que essa idéia era inconcebível. Tomou uma decisão. Já que seu corpo e sua mente logo, logo seriam destruídas pelo sistema de treinamento, umas coisas ele salvaria: Seu coração.
Mas Dante possuía plena consciência de que aparecer sem mais nem menos na frente de seu grande amor não era uma grande idéia, principalmente quando essa pessoa era casada com seu superior direto que poderia mandar mata-lo a qualquer momento. A oportunidade surgiu numa dessas tardes chuvosas, enquanto Dante fazia o exercício de peso no pátio arrebentando seus tendões para levantar um peso três vezes maior do que qualquer instrutor recomendaria. Durante o exercício, Dante encontrou uma aliança. Nela havia escrito "Augusto" e uma data, "1969". Logo Dante percebeu que a aliança pertencia a Paula. Resolveu devolver, mas só no dia seguinte. Enquanto não chegava a hora, ele ficou se perguntando o que a aliança fazia ali no chão.
Mais uma terrível manhã começaria, mas Dante não foi ao pátio respirar gás lacrimogêneo, em vez disso foi ao gabinete do General Augusto, temporariamente ocupado pela sua Mulher, Paula.
Toc! Toc! Toc!
-Entre!
-Com licença, Senhora, acho que isso lhe pertence.-Disse Dante mostrando a aliança para Paula.
Paula com lágrimas nos olhos respondeu:
-Não mais! Não quero nada que me lembre aquele animal! Sabe soldado, há uma semana eu estava arrumando o quarto e encontrei debaixo do colchão essas cartas...E nelas...-
Paula começou a chorar compulsivamente.
Dante leu e nelas Ivy comentava sobre seus planos maléficos e falava sobre o caso que ela e General Augusto tiveram.
-Eu já sabia desses planos. -Disse Dante

-Como?-Indagou Paula. -Leon me contou.
-Temos que impedi-los, Dante. Não podemos deixar eles matarem tanta gente.
-Mas como?
Essa foi a pergunta que interrompeu a conversa. Mas depois de alguns minutos pensando, Dante finalmente disse algo.
-Precisamos de ajuda...Leon! Ele sabe. Podemos fazer ele parar a chantagem para confessar.
-Leon é muito bom para deixar alguém fazer tal catástrofe.
-Ele deve ter algum bom motivo, mas não o suficiente...Precisamos falar com ele. -Pra começar Dante, você não está com condição física ou psicológica para impedir qualquer conspiração.
-Vamos fazer o seguinte: Eu te entrego uma carta branca (algo como uma dispensa dos treinamentos válida por 3 semanas) e quando você estiver um pouco melhor nós faremos uma reunião para saber como parar aquele monstro. Ok? - Disse Paula mostrando-se ser muito mais do que uma mulherzinha chorona que não passa de um adorno para homens de importância.
Dante que nem sabia o que era ficar sem exercícios penosos, respondeu:
-Sim, obrigado.
Dante estava quase saindo quando Paula disse:
-Passe na minha casa amanhã, tenho alguns quadros interessantes para te mostrar.
Dante ficou mais do que animado e logicamente aceitou o convite.


CAPÍTULO 11


Dante não conseguia pensar em outra coisa, mesmo porque não havia em que mais pensar. Um homem de 19 anos pela primeira vez fez sua barba. Tomou um banho de água gelada, algo que não fazia há tempos e foi para a casa de Paula.
A casa ficava perto do quartel, dentro de um bairro nobre, e Dante realmente achava que as coisas estavam melhorando, pois nunca havia entrado em uma casa tão grande quanto à daquele bairro e uma mulher tão linda como Paula não tinha costume de chamá-lo, principalmente, para ver quadros. Quadros nunca chamaram a atenção de Dantes, pois, quando livre, estava ocupado demais apanhando, se drogando, bebendo e fazendo marginalidades. Ele não tinha idéia de como sua vida mudaria a partir de agora.
Dim!Dom! Paula atendeu, estava maravilhosa, com um vestido vermelho decotado e detalhes de flores. Dante chegou a se assustar com toda aquela beleza, principalmente nessa fase de sua vida, onde só via mulheres em revistas masculinas.
-Entre.
-Com licença.
Como Paula estava tão bela, Dante começou a pensar que a história dos quadros fosse só um "Pretexto" para ele ir até sua casa. Mas depois de 30 minutos olhando quadro, percebeu que o convite era verdadeiro e como não havia saída, resolveu entrar profundamente no assunto.
1 hora depois, eles estavam tomando lanche, foi quando eles começaram a discutir sobre como deteriam Augusto. Dante não sabia, mas Leon estava preste a entrar na casa de Paula, como foi convidado.
Leon entrou e logo foi dizendo.
-O que vocês sabem até agora?
-Somente o que o senhor me contou.-Disse Dante.
-Eu sei que o Augusto está sendo apoiado por políticos estrangeiros e bolou um plano sinistro que envolve soldados atacarem uma pequena vila de garimpeiros na Amazônia, para levar todo o ouro que os garimpeiros conseguiram com muito esforço - disse Paula fazendo uma pausa para tomar suco.
-E ainda simular um ataque de guerrilha para enquanto os soldados lutam entre si, pensando que estão lutando contra guerrilheiros, a amante dele, Ivy Shuafflan Nasseaur faria uma fortuna vendendo armas de alto calibre, como sua linha de Ak-47 rosas que seria o Maximo para mulheres de estilo e atitude, como ela diz em seu comercial.- Continuou Paula controlando-se para não chorar nem se deixar fazer uma besteira que envolveria a sua Ak-47, presente de Ivy em épocas passadas.
-Isso mesmo. Eu só não denunciei isso para as autoridades, porque estava investigando quem eram os políticos envolvidos nisso.- Explicou-se Leon.
-Além disso, ele planeja usar a lei que diz que, um general poderia tomar o controle do país em caso de guerra interna.- Disse Dante completando o que os outros dois não disseram.
Mas como se para um general sedento por sangue, dinheiro e poder? Essa dúvida martelou os três por horas até que Dante finalmente teve uma idéia:
-Paula, você disse que Ivy é dona de uma fabrica de armas, certo?
-Sim...-Disse Paula sem entender a lógica do soldado Dante.
-Logo, alguém na fabrica dela deve saber onde ela está!!!!-continuou Dante.
-Isso mesmo! Sabendo onde aquela mercenária está, poderíamos prender eles, com o apoio de pessoas que eu conheço.Vou contata-las agora mesmo!!!!- disse Leon saindo correndo
Dante estava na porta quando Paula disse:
-Dante, obrigada. Você salvou milhares de vidas, inclusive a minha. Acho que trazer você para o mundo das artes, não é o bastante. Deixe-me agradecer de uma maneira mais apropriada.
Beijaram-se.