ASES Jovem

Prosas Experimentais



(Depois das poesias experimentais, vieram as prosas... Idéia sugerida por Martin e metodologia criada por Rosa Maria - Veja no final desta página.)



Em 08/08/2007

(Lucas, Ricardo, Gabriel F.S., Amanda, Renan, Gabriel S.C., Jacqueline, Gabriela F.O., Elení, Luísa, Gabriela B.C., Alice, Anderson, Laís, Martin)

 

 

Amor à prova

 A respiração começara a fraquejar. Não podia estar acontecendo. Justo nessa hora? O simples, porém maravilhoso beijo que ele me deu, podia ter me deixado assim tão fraca? Meus olhos começaram a se encher de lágrimas. Mas o que fazer? Gostaria de poder fazer algo... Ele estava me esperando! Comecei a tossir. Não havia jeito de parar. A última cena que lembro, antes de desmaiar, foi o sangue nas minhas mãos.

 Quando acordei, naquele quarto branco de hospital, as informações em meu cérebro não haviam sido totalmente digeridas. Acontecera muito rápido. Em um momento eu estava simplesmente vestindo minhas botas pretas e minha camisa azul, e em outro, eu estava desmaiando na frente de meu amado. Minha cabeça girava.

 Sentei-me na cama, olhando em volta. Era um quarto simples, porém aconchegante. Em uma poltrona ao meu lado, havia um rapaz. Ele estava adormecido, apoiando a cabeça em sua mão. Seus cabelos negros estavam bagunçados e seus olhos fechados no mais profundo sono. Assim que ele acordou, viu que eu estava acordada. No mesmo instante se levantou e veio até mim, dizendo: -Acordaste?! Acordaste?! Oh, querida, esperei tanto...” e começou a chorar prantos.

 Fiquei confusa, e perguntei: -Onde estou? Como estou?” Ele me mirou com seus maduros olhos verdes e disse, com a voz chorosa: -“Oh, amor... perdeste os sentidos por dois anos... e durante esses anos, aguardando seu despertar, me dediquei às orações e poesias. Agora voltaste, e posso começar nova vida!”

 Beijou-me e até onde sei, continuamos abraçados, até que veio o apocalipse. Pra sempre feliz, como num conto de fadas.

 
 

Um dia perfeito

 Estávamos no meio das férias. Não tínhamos nada de interessante para fazer e ficávamos o dia inteiro dentro de casa, sem fazer nada. Então, decidimos ir a um lugar diferente, legal, bem longe daqui.

 Pegamos um velho automóvel e partimos por uma nova estrada. No meio do caminho, paramos para comer e começamos a desenhar alguns quadros. Ela adorava pintar o céu de azul, e cada vez mais ele ficava avermelhado.

 Fomos percebendo que o claro do dia estava se tornando sem luz, quer dizer, estava anoitecendo, o avermelhado do céu era nada mais nada menos que o sol terminando o seu espetáculo... que se repete todos os dias, com muita intensidade.

 A noite estava chegando e o quadro sendo finalizado, então, ficamos pensando se realmente valeu a pena sair de casa para apenas pintar um quadro...

 Não pensei duas vezes para responder essa pergunta. Claro que valeu a pena, não por sair de casa, mas por estar com ela! Foi um dia perfeito!

 

 

Recomeço

 Certo dia, estava ele pensando no destino da humanidade, o qual sinceramente achava que não existia. Observou em seus pensamentos a auto-destruição que o homem se inflige, não apenas destruindo o mundo, palco de sua vida, como a própria sociedade, com ações imorais. Ele não se achava neste grupo, mas o que poderia fazer?

 Fugir talvez fosse a solução. Mas e se tudo recomeçasse? Se desligar do mundo, quisera ele conseguir. Rir, como tantos riam, amar como tantos amavam, mas como? O que conseguiu ver era apenas uma luz que ofuscava sua visão e não o permitia ver as cores. Estava num vazio, e podia apenas sentir que não havia sentido.

 Ele realmente queria mudar. Ele não agüentava mais. Tinha preguiça de viver, preguiça de aturar o que havia lá fora para aturar. Aturar o mundo.

 Enquanto olhava seus olhos escuros no espelho do seu quarto, ouvia batidas na porta. Era hora de ir para a escola. Era hora de um novo dia. Era hora de um recomeço!

 
 

Incerteza...

 Seus longos cabelos loiros esvoaçavam atrás dela, naquela tarde outonal. Um vento gelado cortava sua face levemente rosada e levava, com ele, as folhas amareladas, espalhadas pelo chão. A jovem suspirou, apertando seu casaco vermelho-sangue contra seu corpo. Lágrimas salgadas escorriam por sua face.

 Não sabia porquê estava chorando. Não sabia se eram lágrimas ou se era sua alma que escorria. Se sentia a cada minuto mais vazia, mais dolorida, mais sozinha.

 Sentia vontade de morrer. De um choro silencioso, passou a gritar. Não sabia também porque gritava. Só queria aliviar sua dor, tirar aquele peso de seu coração. O vento tornara-se mais forte, abafando seus gritos.

 Sentia vontade de desistir. De cortar o último fio que sustentava sua vida. Afinal, a vida se transformara em algo inerte para ela. Mas, eternizar este estado não fazia sentido. Desistir, pensava consigo mesma, no embalo do vento, igualava-se à renúncia das dores. Mas, esta mesma renúncia provocaria dor também para àqueles próximos a ela, que ainda a sustentavam e a acompanhavam neste mundo. Seria, a morte, a solução, trazendo consigo a dor ao próximo?

 Apesar do profundo choro, ainda restava um fio de luz e bons momentos dentro de si. O choro enfim passara, e o vento acalmara. Não poderia, apesar de tudo, levar quem tanto lhe apoiara, ao mesmo estado de tristeza. Sacrifício exacerbado. Assim, a jovem caminha silenciosamente, sumindo no horizonte com uma única certeza...

 

 
A fumaça na mente

 Alguns reais no bolso e a mesma roupa de ontem de noite cheirando fumaça. Na estação, eu me encosto em um pilar, enquanto espero o trem que me levará para um novo destino. Quando ele chega, me confundo com a fumaça de esperança de ontem.

Mesmo que pareça infantil, eu me confundo. Apesar de que a esperança é algo novo, e ontem não passa de passado...

 Um passado de esperança. Esperança de um futuro melhor, um futuro que no passado é o presente. Será que está realmente sendo o melhor? Essa pergunta, realmente, não sei responder. Mas continuo com a esperança de um futuro MELHOR!

 Dou mais uma tragada e, de repente, destino, passado, esperança, futuro, tudo se mistura. Formando um único pensamento, que até agora não defini.

 Quando acordei, muito tempo depois, ficara este pensamento em minha mente. E me pergunto: não será destino, passado, esperança, futuro, tudo a mesma coisa, apresentada de forma diferente?

 

 

Loira

 Caminhava com a cabeça ereta, uma expressão séria e imutável no rosto. Seus cabelos longos e loiros balançavam no compasso de seus passos. Não havia vento, não havia movimento, nem estrada. Era ela, determinada a alcançar um ponto desconhecido, em meio a um denso nada de folhagens escuras. Suas mãos carregavam apenas um pesado relógio de bolso feito porcamente de latão. Seu tic tac cansado e antigo ecoava na imensidão do silêncio. Sem pássaros, nem vozes. Silêncio.

 Não tinha rumo. Apenas caminhava. Por um instante, uma leve brisa tocou-lhe os cabelos, mas não sentia nada, estava absorta em seus pensamentos. Até que, finalmente, o viu: um belo rapaz moreno, vestindo um sobretudo, que a olhava calmamente, com um sorriso simples no rosto.

 Sorriso discreto, mas sereno, como o local em que se encontraram.

 - Oi, Estranha.

- Oi, Estranho.

Silêncio.

- Você tem caminhado bastante por aí, não é? – Ele perguntou.

- Depende – Ela respondeu, com desprezo.

Silêncio.

-Você trouxe? – Ele foi direto ao ponto.

- Sim, sou loira mas não burra. – Disse ela, entregando-lhe um pequeno pacote contendo algo que mudaria a vida de muitos. Algo poderoso. Secreto.

- Sabe, nós podíamos ter andado juntos. – Ele falou enquanto se afastava.

- Idiota. – Ela continuou andando sem mudar a expressão do seu rosto.

 

 

O entardecer

 Havia algo estranho naquela cena, algo muito estranho! O céu estava claro, mas a casa... a casa estava escura e com apenas uma luz acesa, a luz do banheiro.

 Morava alguém naquela casa? Não sei, sei apenas que era uma casa muito, muito estranha.

 Em plena luz do dia, aquela lâmpada acesa e tudo sombrio em volta. Fiquei a observar por um tempo. Após alguns minutos a luz se apagou e a casa ficou totalmente negra, nas trevas.

 As trevas me rodearam por muito tempo. A luz não aparecia por mais que a procurasse. Porém, num dado momento, notei que uma pequena luz piscava e procurei alcançá-la. Mas foi inútil, ela fugia.

 Eu, que jamais amei, hoje sinto minha alma brilhar e quero alcançá-la novamente. Distante, hoje percebo quão grande era sua falta. Como enxerguei cada defeito, como duvidei de cada ato, removi montanhas e após muito tempo percebo que era um cisco em meus olhos. Hoje a procuro e, quase moribunda, sei que ela ainda existe em mim. 

 

 

Realidade

 Como sujeira posta embaixo do tapete, parte da sociedade é colocada ao fundo, enquanto uma pequena nata controla o Estado. Deixamos nossas vidas em mãos que mal sabem se desprender do sistema. Os meios de Comunicação nos fazem um livro vazio, com páginas prontas a serem escritas pelo que aprendemos ao pegar o controle remoto.

 A mídia? Obviamente faz parte disso tudo. Mas como mudar? É simplesmente impossível parar essa terrível mídia, esse terrível consumismo.

 Talvez não possamos interromper esse ciclo interminável, mas podemos começar a preencher nossos livros, para que eles deixem de ser vazios e para que este ciclo seja refeito.

 Todos os meios de comunicação são bons, apenas são utilizados de maneira errada. O que tem de ser feito é conscientizar a população que vive “embaixo do tapete” para que ela enxergue os verdadeiros problemas da sociedade moderna.

 

 

Obrigado

 Naquele dia eu estava bem, bem com o mundo, bem comigo mesmo. Mas, como tudo na minha vida, esta sensação boa foi embora rapidamente, sem me avisar. Apenas cessou e me trouxe aquele gosto de sangue na boca, aquele odor maldito que sentia diariamente, e tudo me afligia.

 Entretanto, esta sensação não poderia durar tanto, teria que acabar um dia. Qual seria? Nesta pergunta se concentrava a minha vida.

 E quando acreditava que ia acabar, quando ao sol quase podia tocar o céu, era a dor que me fazia sentir vivo. Pudera eu morrer no sofrimento, e reviver na alegria. Este sangue amargo, essa vida inútil e indiferente... Anseio por mais, e se não posso ter, que tudo acabe de uma só vez.

 Mas, teria eu coragem de me acabar, acabar o meu mundo junto comigo? Agora eu sei que não tive. Sei que fui fraco. Mas, será que poderei agora? Afinal, nunca é tarde demais para nada, certo? É isso. Estou decidido. Afinal, será para o melhor.

 Quero agradecer por tudo, ou seja, por nada. Obrigado pelas falsas amizades, pelos falsos amores, pela falsa vida. Obrigado.

 

 

Solidão

 Apenas quando somos amados é que aprendemos a amar a nós mesmos. Apenas quando somos valorizados, quando somos confortados, é que aprendemos mais sobre nosso interior. Então, nos respeitamos, nos perdoamos.

 Mas, eu sempre fui uma alma solitária pelo mundo, sem poder ter o prazer de sentir um grande amor. Essa felicidade não existe para mim.

 Não era uma sensação agradável a solidão. Ela me consumia lentamente, engolindo pouco a pouco meu interior. Lutava por sobrevivência, mas essa iniciativa sucumbia. De fato, desaprendi a me amar. Me sentia abandonado.

 Antes só do que mal acompanhado. Será? Eu até que trocaria a solidão por uma má companhia.

 Mas, como não era viável nem uma coisa nem outra, fui até um bar e enchi a cara, até morrer de cirrose.

 

 

Bob, o bêbado

 Vagava pelas ruas em passos desordenados, quase bêbado. Não sabia porque estava ali, sem rumo na vida... Mas a noite lhe impedia de recordar-se dos eventos que antecederam aquele momento. Estava bloqueado em suas próprias lembranças e emoções. Mas, no ar não pairava indício algum do passado.

 - Olá, Dona Neblina! - disse o bêbado.

- Olá. - ela respondeu.

 - Puxa! Neblina, eu estou ferrado. Perdi tudo naquele cassino. E agora?

- Azar o seu. Sabe, sendo uma entidade cósmica, eu não tenho tempo para bêbados. Se quiser grana, procure o tesouro da Pedra Azul.

 Então, numa busca incansável durante a madrugada sem fim, o bêbado, cujo nome era Bob, foi procurar a tal pedra azul, mesmo sabendo que era um inútil e não tinha a capacidade de achá-la.

 Quando chegou ao destino, viu a milagrosa Pedra Azul... E, quando a pegou, ele se tornou um peixe que voava, junto com a dona Neblina pelo céu.

 

 

Bob, o herói

 - Por favor, me poupe. Implorou (censurado) o Ornitorrinco.

- Não se preocupe. Eu sou superior, não vou te machucar. Disse o cão.

- É superior mesmo. Não te desafiarei jamais. Agradeceu (censurado).

 -Mas, para você ver que sou superior, deixarei você assumir a sua idiotice na frente de todo mundo. Avisou o cão.

- Eu sou um ornitorrinco, idiota e insignificante que não merece o direito da própria vida! Grita o Ornitorrinco.

 Até que, como num passe de mágica, aparece o lindo, másculo e o melhor: BOB O PEGADOR!

- Solte ele, seu cão miserável! gritou o Bob.

-Sim, sim, mas não me mate! O cão “perfeito” ajoelhava aos pés do Bob.

- Só se você dizer a verdade. Ordena Bob.

-Sim... desculpe, Supremo Bob, o melhor deste mundo, meu Deus!

 - Não tem essa! Você vai ter o que merece! (diz Bob, dando um pontapé no cachorro).

- Pronto, agora você vai ser meu escravo.

- Sim, senhor.

Então, Bob viveu feliz para sempre, mas o cachorro não.

 
 

Uma menina perdida

 A menina estava alegre a cantar até que, sem mais nem menos, chegou um monstro e a atacou.

 Mas, ao invés de ir parar dentro da barriga do bicho, ela entrou num mundo diferente. Ela tinha certeza de que não era nenhum lugar do planeta Terra.

 Corpos estranhos compartilharam o espaço com a menina. Era tudo muito escuro, nada parecia vivo, a não ser ela. Na escuridão quase completa, a menina se sentia cada vez pior. Estava ficando doente e, aos poucos, quase não podia mais ver os outros corpos.

 Estava tudo escurecendo e ela podia ouvir, de longe, o ruído daqueles corpos. A pobre menina pensava que estava tudo acabado, quando de repente... pi-pi-pi-pi-pi-pi... era o despertador! Tudo aquilo não passava de um simples sonho... um simples e assustador sonho!

 

 

O morango feliz

 Era uma vez um morango muito feliz. Ele ria e se divertia o máximo que podia todo o dia. Só que tinha um problema... Ele era verde, e não vermelho, como os outros morangos. Via a pena no olhar de quem o via andar com seu patinete, nas tardes ensolaradas, no bairro da alegria...

 As moranguinhas o esnobavam por sua cor, mas ele não perdia o seu sorriso. Estava sempre se divertindo, com um enorme sorriso no rosto. Naquela tarde, iria até a praça brincar com seus amigos.

 Ele deu impulso, com seu pequenino pé verde, para ir mais rápido, passando rapidamente por uma loja.

 Não deu atenção, afinal, morangos não tinham dinheiro. Muito menos ele. Seus cabelinhos agora voavam, porque estava rápido demais, e bateu numa pedra. Voou e ralou toda a cara no concreto. Aí, ficou com a cara vermelha e queimado. Chorou de dor.

 Lágrimas escorriam pelo seu pequenino corpo. Agora, as pessoas sentiriam ainda mais pena dele. Em pouco tempo, um aglomerado de morangos o havia cercado. Mas, eles não olhavam com pena ou tristeza... Olhavam com admiração. Ele tornara-se vermelho, não um vermelho qualquer, mas um vermelho bonito, forte.

Seu sonho havia se realizado e uma lágrima de alegria escorreu pelo seu rosto.

 
 

A luta de Fred e Larry

 Certa vez, em uma linda cidade, havia um gato com super poderes. Ele combatia o crime intensamente e seu nome era Fred.

 Ele possuía um rival... era um esquilo! que também combatia as forças do mal e seu nome era Larry.

 Eles sempre competiam para ver quem chegava primeiro no lugar do crime. Eles viviam brigando. Então, um dia, eles decidiram competir para ver quem era o melhor.

 Fred e Larry decidiram brigar entre eles, em uma verdadeira luta de super-heróis, vista por todos os animais da cidade. Brigaram durante milênios, até que Larry decidiu se render. Quando olharam em volta, os super-heróis perceberam que todos os seus amigos não estavam mais lá. Perceberam que a cidade agora era cinza demais e todos os tipos de crime eram cometidos ao redor deles.

 Desnorteados, foram atropelados por um caminhão.

 





Em 27/06/2007

(Lucas, Laura, Jacqueline, Ricardo, Gabriela B.C., Alice, Luísa, Renan, Amanda, Gabriela F. O., Elení)

 

 

Mudar ou não mudar?

 Uma decisão importante; em pouco tempo. Mudar ou não mudar? Tudo depende de um certo desempenho. Tudo muito vago, tudo muito confuso. Nenhum dos lados é atraente, mas o meio termo é um completo inferno, com mares de lágrimas, línguas em fogo. Como é estranha a imaginação humana. Terrivelmente assustadora e também agradavelmente ampla e acolhedora. E voltamos à questão, mudar ou não mudar?

 Ser ou não ser? Fugir ou não fugir? Pensar ou não pensar? Ouvir ou não ouvir? Criar ou não criar? Não sei! Mas algo não me sai da memória: mudar ou não mudar?

 Uma decisão realmente importante, a vida nos coloca sempre em um ponto onde temos que abrir mão...

 Claro que tenho que mudar, mudar faz parte da vida, mudar é vida, e vida é mudar. Mudanças trazem consigo a alegria do novo e o medo do desconhecido. Não mude! Ou mude?

 Meu jovem, por favor, entenda. Não mude a vontade humana de mudar. Mude aqueles que se contentam em ouvir sempre a mesma música, mude quem dança o mesmo passo todos os sábados à noite. Mas, mesmo assim, nunca mude a sua dúvida de mudar ou não mudar.

 

Rendição

 Fim de tarde. O sol já estava se pondo. Uma jovem guerreira, muito bonita, de cabelos ruivos e bem alta, cuja especialidade era lutar utilizando uma espada, andava tranquilamente pela rua. A rua estava deserta, mas ela percebeu alguns movimentos. Vários homens-bandidos seguiam-na à procura de briga. Ela não sentia medo.

 Virou seu corpo e junto a ele todos os seus acessórios de guerra. Os homens a encararam com sorrisos amarelos. Aos poucos, a distância entre o grupo e a jovem guerreira diminuía. Um dos homens tira do bolso uma faca. Rindo, ela ironiza: “Uma faca?” E começa a batalha, um a um é derrubado, até que ela se surpreende: olhos azuis, cabelos negros e alto. Ele estava diante dela e ela não pode evitar: apaixonou-se.

 Apaixonou-se em plena batalha. Como poderia triunfar sobre ele e aniquilá-lo? Mesmo sabendo que conseguiria sem maiores problemas, não seria capaz. O sentimento recém-florescido fervilhava, era mais forte que o físico. A vitória seria do sentimento, a força que rege o mundo independentemente de tudo.

 Quando sacou a espada, o homem a olhava fixamente nos olhos. Ela se envergonhou e logo sentiu seu rosto arder. Se sentiu o mais próximo possível do roxo. Ele percebeu a pulsação nos olhos dela. Ela viu que estava tudo muito claro e resolveu disfarçar. “Não vai erguer sua espada?”  Ele sorriu e respondeu: “Há um brilho em seus olhos que não pode esconder”. Ele largou a espada. Ela se ajoelhou e também baixou a guarda.

 Houve uma fração de segundo em que seus lábios se encontraram apaixonadamente. Em seguida, os dois, simultaneamente, ergueram suas armas e enterraram-nas nos corações opostos. E o sangue derramou-se, cálido de paixão.

 
 

Ilusão

 Tudo não passara de sonhos. Sonhos, sim, e não ilusão. O sonho não derruba o ser humano. Já a ilusão é o pior que pode acontecer, pois leva a uma série de encontros e desencontros, enganos e desenganos. Ilusões destroem momentos, ilusões desmancham a realidade em diversas outras verdades, senão paralelas. Mas não sei o que seria de mim sem tais ilusões.

 Quantas vezes já me peguei fugindo da realidade em ilusões? E CONSEGUINDO me refugiar nelas? Achando soluções e podendo, finalmente, “descansar” da realidade? É. Eu não suportaria.

 Mas não passavam disso: ilusões. Não eram realidade e, com certeza, não seriam nunca. Eram apenas “devaneios” criados para fugir de uma realidade opressora, e que, aos poucos iam tomando espaço em minha vida. Agora, esses devaneios são indispensáveis.

 Incrivelmente, já não sei viver sem eles. Mas, se não fossem eles, será que eu estaria aqui, agora?  Será que se não fossem esses devaneios, eu estaria aqui, pensando e escrevendo estas confusas palavras?

 Às vezes, chego a pensar se deveria parar com isso. Abrir meus olhos para ver o mundo, e não continuar com filtros na retina, capazes de enxergar apenas o agradável. Talvez eu não devesse estar vivo. E as ilusões me impediram de morrer. É, abrirei meus olhos, ainda que morra amanhã, DESILUDIDA!

 
 

Eu e você

 Não dava para acreditar. Aquelas rudes palavras ecoavam em meus ouvidos e eram semelhantes a fortes pancadas no coração. Não... não podia ser assim. Não podíamos apenas olhar por outro lado? Apenas voltar a rir e agir normalmente? Não dava para acreditar.

 Queria que tudo voltasse a ser como antes, mas era impossível. As palavras ditas injustamente haviam mudado tudo. Não conseguia acreditar que tudo havia acabado.

 Começou há três anos. Conheci a melhor pessoa do mundo. Quem agora aparenta ser meu ex-namorado. Meu ex-amigo. Argh! Não podia acreditar. Não sabia se era traição, ou simplesmente o seu sentimento “acabara”. Agora, tenho dúvidas de que eu não queria acreditar.

 Estamos errados, sei disso. Mas, se há alguma esperança, farei de tudo para encontrá-la. Não sei porquê você me largou ao léu assim... nem sei se você desconfiava de mim. O que eu fiz? Eu não sei, e menos ainda sei como consertar. Conversas anônimas não irão resolver, e diários apenas aumentarão minha angústia com as memórias desses momentos.

 O certo é lhe esquecer. Todo bem que você me trouxe não superou todo o mal que você me causou. Será que não me fará sofrer novamente? Não acredito mais em suas esfarrapadas palavras. Sim, prometo a mim mesma, esquecer-lhe-ei. Custe o que custar, pagarei o que for possível, pagarei com lágrimas. E depois me recompensarei com sorrisos.

 

Ciclo da vida

 Era um velho jardineiro e plantar um jardim maravilhoso. Certo dia, quando o sol trazia ao céu um exuberante cenário, ao começar de tal história, ele a percebeu: Vermelha, aveludada, tal flor jamais foi vista. Ao aproximar-se, surpreendeu-se, ela não tinha perfume.

 Esta flor era única, diferente das demais. Não possuía perfume, mas isto não a tornava inferior: sua cor vermelha vibrava em tons maravilhosos e vívidos.

 Foi então que, em um lento e pesado vôo, uma gorda abelha pousou em suas pétalas, emitindo um zumbido interessante. O jardineiro observou a grande abelha, preta e amarela, que destacava-se da vermelhidão da flor.

 Ela colheu o pólen, que possuía um tom vermelho, que beirava o laranja, e levantou vôo. Sendo só mais uma passagem na vida da linda flor e do velho jardineiro.

Neste momento, achei o maior absurdo de todos retirar parte daquela maravilha, porém, agora eu entendo que isso se chama “ciclo da vida”, um não existe sem o outro!

 

Palavras

 - Feche os olhos Melissa. Apenas ouça os gritos que ecoam entre essas montanhas. Assim irá compreender melhor o que estou lhe dizendo - sussurrou o velho, apoiando sua mão no ombro da moça.

 Ela o levou à entrada da caverna e disse bem alto: “Eu amo você!” e o som se repetiu: “Eu amo você”. Sem nada compreender, ele gritou: “Ela ama quem” e, mais uma vez, a voz da caverna ecoou: “Ela ama quem?”

 Não se compreendia mais nada do que acabara de acontecer, nada mais fazia sentido. Não em relação ao eco, esse fenômeno natural nada incomum. Mas a reação de ambos foi confusa.

 A garota olhou-o nos olhos. Olhos penetrantes, brilhantes e intensos. Talvez, fossem a maior adoração da menina. Podia ficar horas e horas admirando aqueles grandes olhos profundos que a olhavam de volta.

 - Eu amo você - ela repetiu, falando baixo, desta vez. Eles estavam bem próximos, não havia nenhuma necessidade de gritar. O velho, surpreso, arregalou aqueles belos olhos, mas por apenas alguns segundos. Depois, a abraçou. Aquele abraço valia por muitas palavras e demonstrava que ele também a amava.

 
 

Céu

 Em um dia nublado, estava eu, na janela do meu quarto, imaginando como seria se o céu não fosse azul. Fico horas e horas a pensar e repensar, e ninguém me tira uma idéia da cabeça...

 E se o céu não existisse? Como seriam as minhas manhãs, ao abrir a janela e não ver nada, apenas o preto? E se o preto também não existisse, o que veria? Ainda bem que ele está ali, com toda a sua imensidão e simplicidade, passando para nós alegria, tranqüilidade, desejos...

 É... ainda bem que o céu existia. Porque senão, o que mais me faria perder em longos pensamentos? Que outra beleza me inspiraria tanto? Se o céu não existisse, será que os pássaros voariam tão alto?

 É tudo fruto de um pensador. Eu tenho certeza! Não vejo outra possibilidade. Mas qual a razão daquilo tudo existir? Disseram-me para não questionar a vontade de superiores. Mas eu resisto a esse calar.

 Minha curiosidade, ou o ímpeto dela, porém, superou o que me foi dito. Não me satisfazer com a explicação empírica. Explicação, não: argumento para quando se desconhece algum fenômeno ou hipótese. E foi assim que, com o passar do tempo, me tornara um conceituado astrofísico. A resposta para aquele sonho de infância ainda não encontrei, mas agora possuo meios de encontrá-la sem ser contido pelo medo.

 

Sonho...

 ... Sonho com algo impossível, impossível não sei se é, mas sei que para muitos tudo nada é. Meu sonho é muito simples, é um sonho bem pequeno, um sonho que para crianças, jovens ou adultos, seria com certeza um sonho de uma só noite.

 Sonhar faz parte da vida, a vida faz parte de você e, com certeza, você faz parte de um sonho.

 E um sonho faz parte da vida, que faz parte de você, e com certeza você faz parte de um sonho, que faz parte da vida, que faz parte de você, que faz parte. CHEGA!!!

 

Reflexão

  A garota olhou-se no espelho. Sua imagem a olhou também. Ela suspirou. Seus cabelos acaju lhe caiam nos ombros, totalmente bagunçados. Seus olhos possuíam grandes e fundas olheiras. Estava péssima. Tudo isso era culpa deles. Eles que a haviam magoado, qua a haviam feito chorar. Injustamente.

 Por que diabos fizeram isto com ela? Qualquer um poderia se revoltar! Foi incrível a sua triste história durar tanto tempo. Ela começou há aproximadamente um ano. Fora obrigada a conhecer aqueles demônios por suas falsas amigas. Foi mais que forçada. Não existem palavras possíveis de descrever.

 Aqueles olhos azuis deles, escondiam verdadeiras labaredas infernais, evanescentes de uns corações impuros e cruéis. Tudo perfeito para quebrar em mil estilhaços aquele coração saudável, amável e puro que era o dela. Malditos! Magoaram justo a ela, que mal conseguia matar insetos, quanto mais sentir sede de vingança. Ela se via como um filhote de antílope cercado por cinco leões famintos: indefesa!

 

O leite

 Foi em julho daquele maldito ano: festas juninas, danças, comida. Não sei como aquelas pessoinhas gostavam desses engana-pobre. Estava lá a contragosto. Tudo muito feliz, amendoim, pipoca, quadrilha, bombinhas, vinho quente e meu sábio sorriso entristecido.

 Aquilo era um tormento para mim. Não suportava ter que ouvir aquelas músicas frescas. Como as pessoas conseguem sorrir tanto? Alegria, amor, carinho... Isso não existia para mim. Tinha uma vida infeliz, sofrida. Por que eu devia me divertir nessas festas? Por quê?

 Naquele ambiente atormentador, fui em minha mente filtrando toda aquela informação inútil. Então, aos poucos, percebia um rosto familiar, entre todos aqueles que considerava estranhos. Era o rosto de Júlia.

 Júlia, a borracheira da família, também estava naquela festa e parecia não estar gostando muito. Então, convidei-a para um lugar mais agradável. Fomos para um boteco do outro lado da rua pedir um copo de leite gelado. Só que ela era alérgica à lactose e começou a ter uma convulsão. Então, carreguei-a até o hospital, onde ficou internada. Após a sua internação, ela quis agradecer de alguma forma esse ato heróico.

 E com um ar de agradecimento, ela, singelamente me fez uma proposta: trocar os pneus do meu carro!

 Aceitei. E ficamos todos felizes.

 

O assassino louco

 Uma casa. Casa um pouco estranha. Estranha como seu dono. Ele era louco, bem malucão! Não sei exatamente como, mas sua filha era louca igual ao pai. Cabelo rosa, quem já viu? Filha louca. Louca de pedra. Ou usava preto, vermelho e branco, ou estava com roupa colorida. Parecia um arco-íris. Foi ela que roubou meu coração.

 Por mais louca que ela fosse, por mais rosa que fosse seu cabelo, por mais poli-cromática (colorida) que fosse sua roupa, eu ainda sentia o calor dócil que vinha de seu coração rebelado. Quando eu a via andando pela rua, minhas batidas cardíacas saíam do Tum-tum, Tum-tum semelhante ao samba de roda e iam para um tacatum-ta, tacatum-ta mais parecido com um verdadeiro desfile carnavalesco.

 Mas, às vezes, parecia um defunto, de preto, branco e vermelho... com o olhar triste e sorriso bem singelo.

 Talvez, aquela sua aparência tão louca, tão diferente, fosse apenas uma fantasia para esconder suas dores, seus sofrimentos. Sentia isso, e meu desejo mais íntimo era poder fazê-la sorrir e ter o seu sorriso só para mim.

 Nada mais que seu simples, louco sorriso, que rompesse a profunda tristeza de seu semblante. Apenas isso bastaria para determinar o amor ou a loucura. Frutos da incerteza...

 Precisava dela... precisava... Mas, ela disse “não”. Entende, doutor, porque eu fiz isso? Você acha que eu queria matar por maldade? Principalmente depois dos duendes dizerem não.






Em 11/04/2007

(Lucas, Laura, Alice, Adrieli, Reinaldo, Carla, Martin, Thais, Gabriela BC, Mayara, Amanda, Laís, Anderson,Ricardo, Gabriel,Renan,Jacqueline, Juliana)


Crise de Adolescente

Numa tarde da semana passada, algo aconteceu comigo. Algo que mudou totalmente o modo de pensar de uma pessoa na adolescência.
Meu médico disse que eu sofro de um distúrbio muito raro "Penta-personalidade", ou seja, eu tenho cinco personalidades. Quem está escrevendo isto é "BOB", a personalidade principal, mas a qualquer momento alguma das outras quatro escreverá.
Bob é a minha personalidade original. Uma pessoa normal, eu imagino. Porém, as outras personalidades eram únicas. Cada uma tinha um sentimento ou comportamento à flor da pele. Joseph, por exemplo, era raivoso e agressivo. Não suportava ninguém. Quase um cão de briga personificado. Enfim, todos eram anormais. Vários momentos dentro da mesma pessoa.
Talvez uma manifestação dos "eus exteriores".
Essas minhas cinco personalidades, estão me causando muitos problemas. Muitas pessoas se afastaram de mim, inclusive meus familiares. Já não agüento mais este inferno! Já fui a vários psiquiatras, mas nada adiantou. Não existe nenhum remédio capaz de curar esse mal. Acho que terei que levá-lo para o meu caixão.
Apesar de toda essa confusão, durante minha adolescência, só fui achar as respostas de que precisava após alguns anos. Isso tudo, essa "penta-personalidade" que o meu médico dizia, não era nada mais nada menos que "crise de adolescente". Hoje, divirto-me lembrando das atitudes desesperadas que tomava para os casos mais simples da vida.





Rotina

Manhã de quarta-feira. Aos poucos vou abrindo meus olhos. Não consigo me imaginar fora daquela cama. De onde surgem minhas forças? O alarme não pára. É como toda quarta-feira.
Me levanto e desligo o alarme. Minha única motivação para sair da cama é saber que depois de mais uma quarta-feira, meio da semana, vou poder voltar a me deitar e só acordar na quinta. Feliz, por saber que não é mais quarta-feira.
Por que em quarta-feira eu não funciono - nem força nem alarme para quartas-feiras, nem sequer eu, que também nunca sou em quartas feiras. A quarta-feira, toda completa e barulhenta como ela - e eu, todo incompleto e quieto - como eu mesmo.
Nem deveria existir quarta-feira! Da terça pular-se-ia para a quinta! Assim, existiria maior probabilidade dos feriados caírem na terça ou na quinta. O problema seria que, sem a quarta, os anos seriam menores e nós estaríamos no ano de 2050, ou perto. Maldita quarta-feira! Por sua causa não estamos no futuro!
Chega de paranóias e comparações... Quase que não acordo a tempo para realizar a rotina de mais um dia, de uma quarta-feira. Aos poucos vou abrindo meus olhos. Levanto-me e desligo o alarme. E assim começa o dia, comigo reclamando das quartas-feiras, desta vez...





A fechadura

Cheguei em casa e fiz um esforço colossal para abrir a porta - em qual dessas esquinas da vida deixei a chave cair? Só quero voltar para casa, mas a fechadura não é minha amiga. Ela mesma disse que me odeia. Na verdade, todas as fechaduras estão unidas em um complô para dominar o mundo, apenas eu sei disso e esse foi o motivo pelo qual eu perdi a chave, me distraí demais. Deixando o complô de lado, se não estiver do lado de dentro quando amanhecer eu estarei perdido, pois todo mundo, em casa, pensará que dormi fora e que o papo de complô das fechaduras é apenas um delírio de uma noite muito louca. Cale-se fechadura!
Toda noite que passo dentro de casa é a mesma coisa. As fechaduras sussurram palavras de baixo calão. Incessantemente. Não faço idéia se era um ritual ou apenas provocação, mas me irritavam. Até o ponto em que eu revide tudo que acumularam em minha mente. E logo após revidar, era chamado de louco pelos meus...
Depois de tanto procurar, encontrei a fechadura. Ela estava dentro de mim. Essa fechadura resolveu os meus problemas. Pois agora sim, encontrei a minha verdadeira felicidade. As chaves do amor e da amizade me fizeram abrir essa fechadura. Agora estou feliz como nunca. Minha felicidade é eterna, pois agora encontrei pessoas que realmente gostam de mim pelo que sou sem nenhum interesse.





Instabilidade

O choro me apossou. No escuro meio da noite. Não pude entender o meu sentimento. Era escuro e vazio. Estranho e diferente.
Tive vontade de rir, mas estava chorando... Tudo era tão diferente, abstrato... Sentia que ninguém poderia me ajudar, mas não sei também se queria ajuda. Queria simplesmente ficar ali, chorando e tentando entender o que estava sentindo.
Talvez eu gostasse daquela dor. O aperto no coração, por mais forte que fosse, me fazia sentir vivo. Em toda a minha vida, aquele foi o sentimento mais forte que me dominou. Não importava se era bom ou ruim. Apenas me dava prazer, como se toda a minha vida recebesse um sentido.
Mas, ao mesmo tempo eu odiava a dor. Abominava estar vivo. Abominava sofrer e não conseguir entender o que sentia. Queria que aquilo acabasse, mas ao mesmo tempo não.
Chorava e chorava... E não conseguia entender ou mesmo me decidir: queria estar vivo ou não?
Esperei mais seis segundos e engoli a dor, a agonia, a paixão do que nem foi. De uma só vez engoli tudo, e todos os sentimentos do mundo, num segundo. E mais tarde soube, com a loucura mais insana de todas, que tinha tragado a vida e estava respirando pela primeira vez; e o nascer do sol era o mais bonito.





Interrogações

Às vezes, sinto que não conseguirei. Que não vou conseguir continuar. E que tudo não passou de um mísero sonho.
Não acreditei muito bem no que aconteceu. Foi incrível, porém triste. Agora penso: sinto que não conseguirei? Sinto que não vou conseguir continuar? Eu quero tanto entender o que realmente houve. Só sei que nada sei. Que nada soube e nada saberei.
Não sei nem o que sinto, aliás, alguém realmente sabe? Não sei! São tantas dúvidas, milhares de sentimentos! Eu quero continuar? Será que foi um sonho? Um mísero sonho?! Mas não pode ser! Será que um dia terei resposta para tudo isso?
Espero que sim. Mas aí penso: O que farei com as respostas? Será que se eu obtê-las, a verdade vai mudar? Para quem mostrarei e contarei tudo que quero e que de útil não há nada? Às vezes, acho melhor deixar as respostas de lado para viver sem maiores dúvidas. Nenhuma delas.
Se obter as respostas, será que não surgirão mais dúvidas? Uma coisa eu sei: as dúvidas não se findam com respostas. Pois com elas só aparecem outras dúvidas. E, dessas dúvidas, novas respostas, então novos questionamentos. O que aconteceu? Foi real ou não? O que sinto? O que acontecerá?





Príncipe Amado

Cabelos loiros, lisos, olhos azuis e pele caucasiana. Era assim Rafaela, a menina que a todos encantava com seu lindo sorriso, até que ele surgiu em pessoa.
Era um príncipe. Seu nome era Matheus, era loiro, charmoso e ela se encantou. Seu jeito era diferente, era místico, enigmático, engraçado, apaixonante... Seu sorriso então era de apaixonar, nem preciso dizer o resultado.
Pois é, mas este lindo príncipe, lindo e maravilhoso tinha um hálito horrível e também não tinha muito costume de tomar banho, por isso era uma piada em seu reino encantado.
Mas, a garota, mesmo assim, estava encantada com seu belo "príncipe", mesmo ele sendo uma piada.
Foi assim que sua vida começou. Pelo menos realmente. Esse foi o começo de uma longa jornada. A jornada da vida de Rafaela. Foi só então que começou a vida mesmo. Pois se não fosse aquele lindo momento em que descobriu Matheus, que ela aprendeu o significado de amar. Se não fosse por esses lindos momentos juntos, quem disse que ela descobriria o que é amar? Mas graças à Matheus, ela aprendeu. Aprendeu que amar é respeitar, adorar e sempre sonhar com a pessoa amada, apesar de seus defeitos.





Um gato no Alaska

Era uma vez um gato xadrez que vivia alegremente no Alaska. Certa manhã fez tanto frio que o gato precisou de um casaco para se proteger da abissal nevasca.
Ele era um gato, portanto, não tinha casaco algum ao seu alcance. Apenas neve, neve e mais neve. Uma imensidão do mais puro branco de neve. Um esquimó talvez nomeasse cada tom de neve, mas isso não vem ao caso. O gato tremia, quase congelava em seu iglu. Como ele foi parar ali, pensava ele.
O gato resolveu procurar um lugar mais quente para ficar. Ele encontrou um lugar bem aconchegante, e o preço era de somente três torradas por mês, uma verdadeira merreca.
Quando foi ao seu quarto, encontrou uma bela gata. E os dois passaram o ano inteiro conversando. O gato acabou se apaixonando pela gata, mas ela nem percebeu.
No decorrer do ano, muitas coisas aconteceram. O gato apaixonou-se, mas a gata apenas o queria como amigo. Certo dia, ele resolveu declarar-se para ela. Mas, cada vez que chegava perto, tremia de medo e ansiedade pela resposta, quando finalmente se tranqüilizou, disse:
- Gata, minha gata, eu te amo. Só pode ser o destino que fez nos encontrarmos. O que uma gata fazia aqui, com uma casa no Alaska e cobrando três torradas por mês?
Então, ao perceber que o gato tinha razão, a gata deu-lhe um beijo. Por fim, eles se protegeram do frio e viveram felizes para sempre, aquecendo tanto o corpo quanto o coração.





Juliana e o suspense

Em um momento de tédio, durante a mais longa aula possível, um grupo de alunos decidiu criar um motivo para o professor expulsá-los da sala. Era a última aula, finalmente.
Após cinco minutos, a diretora chegou e resolveu expulsá-los da escola. Até hoje, ninguém sabe exatamente qual foi o motivo. Essas expulsões fizeram com que todos os outros alunos ficassem com temor.
Tudo isso era muito estranho, até mesmo para aquele grupinho de amigos, assim, de repente, apenas com um desejo de sair da sala de aula... a diretora chega e os expulsa. Passado algum tempo os alunos regressaram à sala, pois a suspensão fora dada pó três dias.
A escola, não compreendendo a atitude da diretora, começou a investigar o fato. Minutos antes da "expulsão", Juliana havia saído da sala com o pretexto de ir ao banheiro, passando a ser a principal suspeita.
E lá se foi a diretora, e mais uma "canelada" de pessoas, atrás da pobre Juliana, para tentar descobrir se ela era realmente a "líder" por trás de tudo.
Descobriram que Juliano saiu da sala para ir ao banheiro, pois estava com uma tremenda dor de barriga (ela tinha comido banana com cebola e isto explica o seu hálito...). Dois anos se passaram e o suspense continua porque o fato não foi revelado.





Um sonho inesperado

Era uma tarde de domingo, ensolarada, Rebeca aguardava a chegada de sua família em sua festa de aniversário, ansiosa, toda arrumada e pensando em quantos amigos viriam para dar os parabéns a ela.
Passou o mês todo a cuidar dos detalhes, afinal o garoto mais popular da escola fora convidado, e por ele era apaixonada. Chegou a tão esperada noite e deu-se o início da festa.
No começo tudo parecia ruim... Todas as garotas acompanhadas dos namorados e ela solitária num canto. Mas tudo mudou quando ele apareceu: cabelos negros, encaracolados, olhos castanho-escuros e com um ótimo humor - o seu amor.
Quase desmaiou quando o viu, vindo em sua direção, com seu olhar fixo nela. Ela começou a ficar vermelha, as pernas tremiam. Ele chegou e pegou em sua mão, como um cavalheiro cumprimentou-a e pediu para dançar num estilo bem formal.
Aceitou, meio receosa de dançar errado, mas os passos dele eram tão leves e doces que logo ela começou a acompanhá-lo. De repente, ele olhou nos olhos dela tão fixamente que naquele momento ela não soube o que fazer. Então ele lhe deu o beijo mais doce que ela já tinha recebido. E contou-lhe que sonhava há dias com esse momento e que não poderia esperar um segundo a mais sequer, porque o seu coração era somente dela.





A flor

Era uma vez, numa pequena cidade, um jardineiro dotado de um enorme talento. Em sua casa, graças às flores, tudo era repleto de vida e cores. Havia porém, a flor mais bela, a única que não exalava perfume.
A flor que mais gostava de chamar: Margarida, pois doce como ela era a sua amada Cleuza, filha do coronel e a mais linda de lá daquele inferno de mundo perdido no universo sem fim, cujo nome era Bragança Paulista - assim era sua cidade para ele. Mas, havia uma luz que iluminava tudo.
O jardineiro, devido sua grande paixão pela moça, abandonou seu jardim, as flores foram secando, morrendo. Porém, a única que continuava vivaz era ela, a margarida, sem perfume, porém bela, bela como nunca, bela como tudo.
E um dia ele percebeu que mesmo no meio de tantos problemas, ela sempre continuava linda e, com todas as forças que restavam, ele sobreviveria, mesmo sem perfume.
Mas, havia um problema: ele não sabia se era certo falar seus sentimentos para a bela flor. Seu medo de rejeição era muito grande. Porém, em um dia qualquer, sua linda flor aparece, sim aparece como se fosse do nada e lhe dá um longo beijo. Depois, ela foi embora sem olhar para trás. E o jardineiro a procurou, e procurou, mas nunca a reencontrou.





João e sua padaria

Um dia desses, um cara chamado João, que tinha uma padaria dentro de sua casa, parou para pensar, pois toda vez que deixava seus pães esfriarem na janela alguém os roubava.
Então, o que fazer? Ele estava muito desesperado sem os pães, como iria se sustentar? Então, algo muito milagroso e triste aconteceu, ele foi roubado, ficou sem nada.
Foi então que a sua brilhante mente funcionou: vou rezar\1 E assim ele fez. Como não tinha casa e nem nada, ele parou no meio da rua (na faixa de pedestres) e rezou. Rezou até o dia clarear.
Enfim, seu pedido foi atendido, um senhor parou e resolveu ajudá-lo. Perguntou o que havia acontecido e João lhe contou tudo. O senhor resolveu levá-lo para sua casa e lhe deu comida e roupas que nele cabiam.
Por coincidência, o senhor que o acolhera também era dono de uma padaria! Porém, lucrara muito mais que o pobre João. Como forma de agradecimento, o homem ao homem que tanto o ajudou, João lhe entregou um receita de esfiha que se mantinha como tradição de sua família. A esfiha fez tanto sucesso, entre os fregueses da padaria daquele senhor, que ele acabou abrindo um comércio apenas para ela. Deu ao comércio o nome de Habib's.





Nem tudo é tão bom quanto se pensa

A letra A foi a primeira a sacudir, se desgrudou das outras e saiu. Foi andando até chegar em um lugar, não sabia muito bem onde era, mas sabia que era cinza, molenga, com vários fiozinhos e que era muito usado.
Pois é, na teoria, alguns lugares cinzas e molengas não eram muito usados por algumas pessoas, e esse lugar cinzento, molenga e úmido, não era nada mais nada menos que o cérebro.
Ou, poderia ser usado sim! Mas, por pessoas únicas e que não entendem nada...
Eram essas as imagens que a letra A visitou. Foi como um sonho para essa letra que nunca tinha visto o verdadeiro mundo. O mundo de fato. O mundo de fora daquele cérebro cinzento e molenga.
No começo, ela achou tudo perfeito, mas depois se questionou: era isso mesmo que ela queria para ela? Queria viver só, fora daquele mundo onde vivia? Até que a saudade começou a apertar, lembrou-se do M e do C e então resolveu voltar para seu lugar de primeira letra e ao lado de B.





O avô

Em algum lugar distante de qualquer civilização vivia Gabriel, um garoto de 15 anos, alto e bonito, que sonhava apenas em ter uma vida como a de seu pai e seu avô.
Era neto de um grande homem. Se avô teria sido considerado um herói, tendo um filho que continuou sua característica de sempre ajudar os mais oprimidos.
Todos esperavam que seguisse os passos de seus antepassados. E que fosse um grande homem. Mas, tudo que ele fazia dava errado. Queria acertar algo. Queria fugir da pressão de ter ilustres familiares, mas queria ficar e mostrar sua capacidade.
De repente, se viu preso a expectativas, ilusões e maya. Olhou-se no espelho e, assustado, percebeu que só sabia sobre a vontade dos outros e se esqueceu da própria, dele mesmo.
Afinal, onde estaria?
Não agüentou, mandou fazer uma camiseta com os seguintes dizeres: "Meu avô foi o cara e nem eu nem ninguém vai chegar aos pés dele" e "Não encham". E as usou para o resto da vida.





O dia de tudo

Era uma noite tempestuosa, estava passando pela avenida principal de uma bela cidade. Era a primeira vez que estava num lugar como este.
Sozinha, com medo de olhar para os lados, pensava em como chegaria na casa de meus tios, que me aguardavam para passar com eles a tão esperada época das férias de julho.
De repente, notou uma pessoa a acompanhá-la. Um homem, vestido com um sobretudo preto, olhos escuros e muito estranho, apareceu no meio do longo caminho para a casa de seus tios.
Este homem foi logo se aproximando de minha pessoa, que estava aflita com tantas dúvidas que não saiam da cabeça. "Quem veio primeiro o ovo ou a galinha?" "O que é um mosteiro". "Porque um mais um é igual a dois?" Em um ar de suspense, ele começou a rir sem parar. Perguntei qual era a graça e ele logo respondeu: "Sua burra, seu zíper está aberto e a casa de seus tios é esta daqui!"
Sua voz era assustadora e melancólica. Assustou-me de início, porém agradeci, fechei o zíper da calça, e logo percebi que pelo nervoso tinha passado da casa de meus tios. Voltei uns metros, apertei a campainha uma, duas, três vezes e ninguém atendeu. Sentei no escuro esperando a chegada deles, só faltava isso para o meu dia ser completo!






Prosas Experimentais



Método para escrever e se entreter com as prosas experimentais:

1- Cada participante recebe uma folha de papel em branco e escreve o primeiro parágrafo da prosa (história, crônica ou conto)

2- Todos iniciam ao mesmo tempo e têm cinco minutos para escrever o primeiro parágrafo, que deve conter entre duas e cinco linhas. Quando forem avisados de que o tempo terminou, devem passar o papel para o colega que estiver à sua direita, até que todos tenham trocado de folha. Quem não conseguiu finalizar o parágrafo, deve passar a folha adiante assim mesmo.

3- Depois do primeiro parágrafo, são utilizados seis minutos para ler o que foi escrito e escrever outro parágrafo (também entre duas e cinco linhas), dando continuação à história. É importante levar em consideração a idéia contida no primeiro parágrafo. Repete-se o mesmo procedimento adotado inicialmente.

4- Na continuação, todos têm mais seis minutos para ler o que foi escrito e escrever o terceiro parágrafo, prosseguindo com a história, de acordo com os procedimentos anteriores.

5- Com o terceiro parágrafo escrito, utilizam-se mais seis minutos para a leitura do texto e a escrita de mais um parágrafo, nos mesmos moldes dos procedimentos anteriores.

6- Após o quarto parágrafo escrito, é chegado o momento de reler os parágrafos anteriores e escrever o final da história. São concedidos seis minutos para essa tarefa. O importante é desenvolver a criatividade e o poder de síntese, e encontrar um final original e interessante.

7- Terminando o texto, que contém cinco parágrafos (de 2 à 5 linhas cada um), precisamos escolher um título. É concedido um tempo de aproximadamente três minutos para a releitura do texto e a escolha do título.

8- Finalmente, chegou a hora de ler o trabalho em conjunto! Aquele que escolheu o título (e que está com a folha na mão) vai ler para os demais colegas, co-autores do trabalho, o texto. Um de cada vez, faz a leitura, em voz alta e com clareza, para que todos possam ouvir e entender.

9- Encerrando, através dos aplausos, todos recebem cumprimentos!

PS.: É preciso caprichar na letra, para facilitar a leitura e compreensão do texto.