Primeiro Concurso Interno de Prosa da ASES Jovem   2007

 

A efemeridade da vida moderna

Gabriel Silva Costa

1° lugar

 

Baudelaire, certa vez, definiu a modernidade como o efêmero e transitório. Melhor definição não é possível à situação em que se encontra a humanidade, a qual, diariamente, busca o imediato, o instantâneo, e, por conseqüência, o pouco duradouro.

Crescem as redes de fastfood e os serviços são cada vez mais acelerados para acompanhar a velocidade da vida moderna, na qual tudo tem de ser feito no menor tempo possível e da melhor maneira, principalmente em vista de encurtar o tempo de produção.

Entretanto, os males causados por esta situação veloz, estão cada vez mais evidentes: pessoas não possuem mais o controle do tempo, ao contrário, são controladas por ele, vivendo uma espécie de ditadura do tempo; os seres humanos comem cada vez mais rápido, sem notar os problemas causados ao organismo; cumprem prazos cada vez menores para produzir e entregar um mesmo produto.

Quem não se adequar a este novo modus vivendi corre o risco de ser excluído, por exemplo, da sociedade do trabalho, pois quem não produz rápido não é contratado. No sistema capitalista o tempo é dinheiro, entenda-se por esta expressão “lucro” - principal objetivo do capitalismo.

Um dos problemas mais manifestos da velocidade da vida é o estresse - expressão que designa, literalmente, tensão, e que é utilizada na biologia para expressar uma situação de alerta contínuo e exaustivo, o qual acarreta diversos problemas de saúde, entre eles, a hipertensão.

Outra situação visível é a substituição da reflexão pelo imediatismo. As pessoas não refletem sobre o que realizam, por não haver mais tempo destinado a esta atividade, e não são capazes de discernir o que ocorre em suas vidas e o que fazem nelas.

A situação demonstrada acima tende a piorar, pois cada vez mais o sistema em que se vive atualmente exige que as atividades sejam realizadas mais rapidamente, e como conseqüência sejam feitas sem nenhuma reflexão. Mudar uma situação vigente depende de todos e certas circunstâncias são dificilmente alteráveis. Entretanto, pode-se tornar a reflexão num instrumento que colabore com a vida, e incorporá-la mesmo em um mundo acelerado.

 

 

 

 

Amor verdadeiro

Laura de Oliveira Cruz

2° lugar

 

O vento soprava com força. Era uma noite fria de inverno. O caos se apresentava na forma de uma terrível guerra. Coud, um pirata de dezenove anos, e Reverie, uma jovem princesa de dezesseis, fugiam desesperados do campo de batalha. Eles se diziam apenas amigos, mas o que um sentia pelo outro era muito mais forte. Antes de se conhecerem, eram pessoas sozinhas, que tiveram uma infância dura e cruel. Ao cruzarem seus olhares pela primeira vez, identificaram-se ao perceberem a tristeza que cada um carregava em seu coração, e fizeram uma promessa de estarem juntos sempre.

Eles corriam. Seus corações temiam que acontecesse o pior.

- Coud... Você não acha melhor... - antes que possa terminar de falar, é interrompida.

- Não Ren!! Eles não irão nos pegar!!! Eu lhe fiz uma promessa, lembra? Uma promessa de jamais lhe abandonar!! Estar sempre com você. - Coud olha para a garota com um sorriso no rosto, tentando tranqüilizá-la.  Temos que nos esc... - mas não termina sua frase.

Ren grita. Coud jazia no chão ensangüentado. Uma bala atravessara seu peito, ferindo-o gravemente. Ela ajoelha-se e o pega em seus braços, chorando desesperada.

- Coud, Coud!! Não... Não morra!! Não me deixe!! - Ren aproxima-se do rosto de seu amado para beijá-lo, porém, antes que ela o consiga, ele sussurra seu nome e, logo, fica inconsciente. A garota teria gritado novamente, se não fosse uma explosão e um grito de vitória de seus amigos, indicando o fim da guerra. Vitória que, para Reverie, não fazia o menor sentido naquele momento.

Um ano se passou desde então. Em razão daquele fatídico dia, Coud permanecera durante 10 meses hospitalizado, em coma. Ren não saía de seu lado de jeito nenhum. Ela se culpava muito pelo que havia acontecido.

 

Agora, os dois se encontravam juntos, em uma praia sob a luz do luar, abraçados.

- Ren, há uma coisa que há muito tempo eu quero lhe dizer. - Coud dizia, olhando bem fundo nos olhos da garota. Sem hesitar mais, finalmente disse: “Eu te amo!”

Algumas lágrimas escorreram do rosto de Reverie. Ela disse o mesmo, e então, beijaram-se apaixonadamente.

Casaram, tiveram filhos. Compartilharam sorrisos, bem como lágrimas. Ninguém sabe o que o futuro lhes reserva. Nem mesmo eles. Apenas uma coisa é certa: a vida é curta e cheia de imprevistos. Nascemos, crescemos, morremos. Devemos aproveitar cada momento como se fosse o último. Porque, senão, a vida passa, e o arrependimento não trará os momentos perdidos de volta.

 

 

 

 

O tempo

Laís Alves Naliatti

3° lugar

 

Como tudo passa rápido, até parece que foi ontem que éramos crianças saltitantes que brincavam sem se preocupar com as coisas simples da vida.

Parece que os dias em que ficávamos de castigo eram intermináveis, e que agora, são apenas horas que poderiam passar um pouco mais devagar. Nossas alegrias, nossas paixões platônicas, nossa infância, nossos medos. Passou tão depressa que nem percebemos.

E, achávamos que tudo isso seria eterno, seria igual à terra do nunca. Tudo aquilo seria... para sempre.

Ai, como a vida passa rápido, nem tive oportunidade de realizar os meus sonhos mais bizarros que, antigamente eram geniais e que tinha orgulho de contá-los para quem quisesse ouvir. E os esconderijos secretos, que não eram tão secretos assim? Eram perfeitos quando ficávamos tristes por termos brigado com nossos irmãos mais velhos que, sempre, sempre estavam errados. Pelo menos para nós.

Tínhamos mentes tão límpidas, tão puras... não pensávamos em nada de duplo sentido.

Tínhamos amigos imaginários que faziam nossas brincadeiras especialmente muito mais alegres, muito mais divertidas, muito melhores do que, às vezes, brincar com outras crianças. Enfim, todas as coisas que vivemos passaram num piscar de olhos.

É, pensávamos que teríamos todo o tempo do mundo para fazer o que quiséssemos. Pensávamos que nossas vidas iriam custar a mudar, mas veja só, as coisas já mudaram, e, agora, mal temos tempo de ser nós mesmos.

Ai. Depois de tudo que vivemos, olhamos para trás e simplesmente dizemos: “como o tempo passa”!

 

 

Primeiro Concurso Interno de Poesia da ASES Jovem

 

 

A valsa do tempo 

Lucas Finamor

1° lugar

 

A vida transcorre

Acompanhada do tempo

Num ritmo pulsante de uma valsa

A vida é a dama

Que é conduzida pelo tempo

O cavalheiro é instável

E é controlado pela dama

Para ocorrer a dança

Ambos têm que estar em perfeita hamonia

Valsando pra ´ca

Bailando pra lá

O cavalheiro dançando

E a dama sorrindo

O tempo tempando

E a vida vidando

Quem dança, sorri

Tempando a vida

Vidando o tempo

Quem não dança

Tira a harmonia

E o cavalheiro sem controle

Valsa fora do ritmo

E para se empolgar

Precisa da dama vivaz

Precisa da vida vidando.

 

 

 

O tempo passa...

Elení Ribeiro Leite

2º lugar

 

À noite, na janela do meu quarto, fico pensando...

Por que a vida passa tão rápido?

Me vêm dezenas de respostas e não consigo chegar a nenhuma.

Enquanto isso, ouço somente o tic-tac do relógio, que parece apressado!

O que eu fiz ontem não serve mais para nada.

Hoje, é uma dádiva de Deus, por isso é chamado Presente

E o futuro não nos pertence. Ele é um mistério!

Paro, e, novamente, não consigo responder às minhas indagações.

A brisa da noite abraça meu rosto, e me traz a certeza...

De que o tempo está passando e as lembranças ficando.

Voltar a ser criança é o sonho irrealizável.

Agora, é ser adolescente, depois, adulto...

A vida é um relógio sem ponteiros ajustáveis,

Que caminha sempre em direção frontal!

Por isso, é preciso viver intensamente cada momento,

Aproveitar cada oportunidade, pois elas virarão simples lembranças.

No silencio das horas confusas, finalmente, cheguei à conclusão de que viver

É gozar dos dias dessa vida passageira,

Pois nada pode fazê-los voltar...

 

 

 

 

 

Desperdício de um valor

Renan Luís Prado Ferreira

3º lugar

 

Atropelado atropelando atropelados

Moe-se até o Sol cansar

Não sente o calar das crianças

De tão camuflado o corpo estar

 

Anula o instinto

Correndo sob um porco

Perdendo até o fôlego

Mas força o respirar

 

Espera anoitecer

Para poder voltar

Deitar em uma cama

Esperando tudo recomeçar

 

Em seus sonhos imagina

Dois olhares encontrados

Em uma sala de jantar

Enquanto aguarda um pão chegar

 

Acorda emocionado

Mas conformado com migalhas

E de cabeça baixa

Volta aos atropelos

 

Dez anos vão passar

Ele vai continuar

Pálido e cansado

Sem saber o que é amar

 

Ossos quebrados pelo trabalho

Sufocado pela gravata

Aos poucos vai morrendo

Até o Sol tudo queimar

 

Talvez pudesse voltar

Para ouvir um pássaro cantar

Correr atrás de um par

Morrer sufocado

Pela paixão de beijar

 

Mas a vida acabou

Presas na mão do morto

Desperdício de um valor

Que o tempo expirou

 




( ver homenagem à Patrona do I Concurso de Prosa e Poesia da ASES Jovem )