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ESCRITORES


Amílcar Donato Barletta


Amílcar Donato Barletta é bragantino, formado em Economia e Ciências Contábeis pela Universidade São Francisco, possuindo também diversos cursos de extensão universitária. Autor dos livros Conhecendo a região bragantina – volume 1 - Conhecendo a Região Bragantina volume II e Santa Paulina e as Irmãzinhas da Imaculada Conceição em Bragança Paulista.
Muito envolvido com as comunidades rurais da região bragantina, elaborou diversos cursos tanto para aperfeiçoamento de técnicas e manejo de solo, como alternativas de novos rumos para a agropecuária desta região..

É estudioso de história, geografia e antropologia.
Acredita que a preservação cultural, histórica e social é o único caminho para um futuro melhor, pois quando sabemos de onde viemos e onde estamos, saberemos para onde ir. Desde 2001 é Secretário Municipal de Agronegócios.

Email: amilcardbarletta@hotmail.com


Nos quinhentos anos da colonização do Brasil a nossa Região Bragantina

Desde o descobrimento do Brasil pelos portugueses, muitos ciclos se passaram e o nosso Brasil foi se transformando.
Agora, comemorando seu 500º aniversário é um país rico, embora com muita coisa por descobrir ainda. Embora apresente muitos contrastes pela grande diversificação de culturas, a alegria e o calor humano de seu povo despontam de norte a sul.
Por estar situado no interior a Região Bragantina se manteve virgem por muito tempo, com suas matas intactas banhadas pelos rios Jaguari, Jacareí, Atibainha, Cachoeira , entre outros, e habitadas em algumas partes por índios, como se tem notícias. Mas é no ciclo das Bandeiras, no século XVII, que a Região Bragantina começa a ter contato com a civilização branca.
Nas rotas percorridas por esses bandeirantes com destino a Minas Gerais em busca de pedras preciosas e ouro, a mais antiga em nossa região, é a que transpunha o Bairro do Lopo, atualmente pertencente ao município de Vargem.
Partindo de São Paulo, esses desbravadores, no sopé da montanha do Lopo, às margens do rio Jaguari, aportavam para descanso e aquisição de forças para tansporem a íngreme escalada para atingir Minas Gerais, objetivo principal dessas expedições.
Com essas movimentações e o decorrer do tempo, esta localidade adquire importante função nessas expedições, pois, além de oferecer descanso, também começa a abrigar os que adoecem, bem como ali mesmo são enterrados os que não resistem à árdua empreitada.
Como marco dessas bandeiras , uma cruz ali foi erguida e com o decorrer do tempo também implantada uma pequena capela, dando origem a um dos templos religiosos mais antigos da nossa região que ainda permanece apesar de ter passado por muitas reformas; a igreja Nossa Senhora Aparecida do Lopo.
Cansados de transpor a íngreme montanha, algumas expedições descem o rio e na localidade atualmente denominada Guaraciaba, rasgam uma trilha mais suave para atingir Minas Gerais, a qual mais tarde receberia a denominação de Estrada de Anhumas.
Mas o espírito ousado desses homens, os leva a descer o Jaguari e rasgar nova trilha que os levaria inclusive a descobrir pequenos veios de ouro o Camanducaia, atualmente banhando o município de Pedra Bela e, em alguns pontos, o município de Socorro. Esta trilha bem mais tarde se transformaria no antigo caminho Bragança Pedra Bela.
Observamos que já no século XVII a Região Bragantina cumpria marcante papel na história brasileira através desses bravos conquistadores: "Os Bandeirantes".
Se no século XVII as planícies e elevações da Mantiqueira, nas paisagens da Região Bragantina, serviram de trilhas e caminhos para os bandeirantes atingirem Minas Gerais, no século XVIII esses caminhos começam a ser povoados com aventureiros, pecuaristas que aproveitaram as planícies com suas ricas pastagens naturais, para povoá-las com rebanhos bovinos e eqüinos.
Aliados a esses agricultores, outros, acreditando no potencial dessas terras virgens, começam a transforma-las no celeiro da cidade de São Paulo a nossa capital.
Em todo esse processo surge a figura expressiva do tropeiro, a quem cabe a responsabilidade de, por inóspitos caminhos, efetuar tanto o transporte desses produtos agrícolas como de trazer os insumos básicos como o sal, açúcar e provimentos, bem como ferramentas, alguns vindos de São Paulo e outros do litoral, em penosas viagens que duravam muitos dias.
Desses tropeiros, muitos viriam fazer parte do desenvolvimento desta região como responsáveis pelos mais importantes melhoramentos, sendo dos mais notáveis o Tenente Felippe Rodrigues Siqueira. Nesse século XVIII, a região bragantina, com sua gente hábil, acompanha a evolução brasileira e se torna uma grande produtora de café, principal produto de exportação o Império Brasileiro.
Com clima adequado e com a grande fertilidade dos solos das elevações da Mantiqueira, o café das variedades arábicas, aqui produzidos, se torna famoso e muito procurado pelos importadores internacionais.
Em toda essa evolução. Inúmeras fazendas da região tornam-se modelos, não somente em produtividade, como em requinte de suas edificações, pois os empresários rurais iniciaram, a maioria deles, apenas com a vontade de vencer, residindo em casebres ou choupanas, com seu trabalho e com os lucros auferidos pelo café transformaram essas moradias em verdadeiros palácios dos quais muitos estão preservados ainda neste século, sendo testemunhas vivas dessa época de nossa história de colonização.






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